Vaticano: 2020, o ano em que se abrem os arquivos do Papa Pio XII

Iniciativa anunciada pelo próprio Papa Francisco na audiência de hoje aos colaboradores do Arquivo Secreto do Vaticano liderado por D. José Tolentino Mendonça

Francisco anunciou hoje a decisão de abrir os arquivos sobre a II Guerra Mundial em 2020. O período coincide com o pontificado do Papa Pio XII (1876-1958)

Na audiência o Papa lembrou o seu antecessor como alguém que “conduziu a Barca de Pedro num dos momentos mais tristes e sombrios do séc. XX”. No seu discurso o papa afirmou querer abrir o arquivo do Vaticano relacionado com o seu antecessor  vai ser aberto aos investigadores no dia 2 de março de 2020, data em que será assinalado o octagésimo aniversário da eleição papal de Eugenio Pacelli.

Para o Papa argentino a destruição provocada pela II Guerra Mundial mostra levou o mundo a uma “reorganização das Nações e a reconstrução pós-bélica”. A decisão de abrir os ficheiros mostra, no disser do pontífice uma Igreja que “não tem medo da história, aliás, ama-a e quer amá-la mais e melhor”, frisou.

Ao abordar as qualidades do Papa Pio XII, já declarado “venerável”, o primeiro passo para a beatificação, por Bento XVI em 2009, Francisco disse estarmos perante um homem com  “qualidades pastorais, teológicas, e também diplomáticas”, cuja ação foi  já “questionada e estudada em vários aspetos, por vezes até colocada em discussão e mesmo criticada, não sem alguns preconceitos e exageros”.

Pio XII é recordado historicamente como um defensor dos judeus durante a II Guerra Mundial (1939-1945). Conhecedor profundo da Alemanha e do II Reich a ele se dirige na sua primiera Carta Encíclica Summi pontificatus onde denuncia o “esquecimento daquela lei de solidariedade e caridade humanas” e a “unidade do género humano”.

No Natal de 1942, Pio XII deixou uma mensagem forte contra o conflito, difundida através da rádio, em que alertava para a situação de “centenas de milhares de pessoas que sem culpa nenhuma, às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se viram destinadas à morte ou a um extermínio progressivo”.

Com a abertura total dis arquivos o Papa Francisco espera que se “avalie, na justa luz, com crítica apropriada”, os “momentos de exaltação daquele pontífice” e também as ocasiões de “grave dificuldade, de decisões difíceis, de humana e cristã prudência”.

Educris|04.03.2019

 

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