
Na oração do Ângelus deste IV Domingo do Advento o Papa Francisco recitou aoração mariana na praça de São Pedro perante milhares de fiéis. O Papa recuperou o gesto de Maria “que parte ao encontro de sua prima” para desafiar os crentes a serem capazes de “colocar no centro do Natal Jesus e os outros” em detrimento “de si mesmo”.
Leia, na íntegra, a alocução do Santo Padre.
Queridos irmãos e irmãs, bom dia! A liturgia deste quarto domingo do Advento coloca em primeiro plano a figura de Maria, a Virgem Mãe, à espera para dar à luz a Jesus, o Salvador do mundo. Fixemos o nosso olhar nela, um modelo de fé e caridade; e podemos perguntar-nos: quais foram os seus pensamentos durante os meses de espera? A resposta vem na passagem do Evangelho de hoje, a história da visita de Maria à sua parente idosa, Isabel (cf. Lc 1, 39-45).
O anjo Gabriel disse-lhe que Isabel estava grávida e já estava no sexto mês (cf. Lc 1, 26,36). E então a Virgem, que acabara de conceber Jesus pela obra de Deus, saí apressadamente de Nazaré, na Galileia, para alcançar as montanhas da Judeia e encontrar a sua prima. Diz-nos o Evangelho: «Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel” (v.40). Certamente estava feliz por ela pela sua maternidade, como por sua vez, Isabel cumprimenta Maria dizendo: «Abençoada és tu entre as mulheres e abençoado é o fruto do teu ventre! E onde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Vs. 42-43). E imediatamente louva a fé: «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento daquilo que o Senhor lhe disse» (v.45).
É evidente o contraste entre Maria, que tinha fé, e Zacarias, o marido de Isabel, que duvidou, e não acreditou na promessa do anjo e, portanto, permaneceu em silêncio até o nascimento de João. É um contraste. Este episódio ajuda-nos a ler com uma luz muito especial o mistério do encontro do homem com Deus: um encontro que não embandeira com prodígios assombrosos, mas se torna presente como sinal de fé e de caridade. De facto, Maria é abençoada porque acreditou: o encontro com Deus é fruto da fé.
Zacarias, em vez disso, que duvidou e não acreditou, permaneceu surdo e mudo. Para crescer na fé durante o longo silêncio: sem fé inevitavelmente ficamos surdos à voz consoladora de Deus; e permanecemos incapazes de pronunciar palavras de consolo e esperança para os nossos irmãos. E nós vemo-lo todos os dias: pessoas que não têm fé ou que têm uma fé muito pequena, quando têm de se aproximar de uma pessoa que sofre, dizem-lhe palavras de circunstância, mas não podem alcançar o coração porque não têm força. Não há força porque não há fé, e se não há fé as palavras não chegam ao coração dos outros. A fé, por sua vez, é nutrida na caridade.
O evangelista diz-nos que «Maria se levantou e foi depressa» (v. 39) até Isabel: com pressa, não com ansia, nem ansiosa, mas apressada, em paz. “Ela levantou-se”: um gesto cheio de preocupação. Ela poderia ter ficado em casa para se preparar para o nascimento do seu filho, mas de contrário, ela importa-se primeiro com os outros mais do que consigo mesmo, demonstrando de facto que ela já é um discípulo daquele Senhor que carrega no seu ventre. O evento do nascimento de Jesus começou assim, com um simples gesto de caridade; Além disso, a autêntica caridade é sempre o fruto do amor de Deus.
O evangelho da visita de Maria a Isabel, que ouvimos hoje na missa, prepara-nos para viver bem o Natal, comunicando-nos o dinamismo da fé e da caridade. Esse dinamismo é obra do Espírito Santo: o Espírito de Amor que fecundou o ventre virginal de Maria instando-a a colocar-se ao serviço da sua parente idosa. Um dinamismo cheio de alegria, como vemos no encontro entre as duas mães, que é todo um hino de alegre exultação no Senhor, que faz grandes coisas com os pequeninos que nele confiam. Que a Virgem Maria obtenha para nós a graça de viver um Natal extrovertido, mas não disperso: extrovertido: no centro não há o nosso “eu”, mas o Tu de Jesus e dos irmãos, especialmente aqueles que precisam de ajuda . Vamos então deixar espaço para o amor que, ainda hoje, quer tornar-se carne e passar a viver entre nós.
Tradução Educris a partir do original em italiano
23.12.2018



