Intenções do Papa para o mês de Março de 2019

A edição de Março do vídeo do Papa é dedicada aos cristãos perseguidos que vivem em países onde a liberdade religiosa e os direitos humanos não estão assegurados. 

No vídeo, o Santo Padre pretende chamar a atenção de todos para esta realidade lembrando que há mais mártires nos dias de hoje do que nos primeiros séculos do cristianismo.

“Talvez seja difícil de acreditar, mas hoje há mais mártires do que nos primeiros séculos”, diz o Papa, acrescentando que estes cristãos “são perseguidos porque dizem a verdade e anunciam Jesus Cristo para esta sociedade”, e isso acontece “especialmente lá onde a liberdade religiosa ainda não está garantida, mas também em países onde, em teoria e nas leis, se tutela a liberdade e os direitos humanos”.

“O Vídeo do Papa”, como esta iniciativa é conhecida, foi lançado em Janeiro de 2016, e é um projecto da Rede Mundial de Oração do Papa, do Apostolado da Oração, e tem como protagonista o próprio Santo Padre.

Todos os meses, o Papa Francisco tem apelado à consciencialização das pessoas para alguns dos grandes desafios que se colocam hoje em dia e que dizem respeito a todas as tradições religiosas e pessoas de boa vontade.

A Rede Mundial de Oração calcula que “O Vídeo do Papa”, traduzido em dez idiomas, seja visto por cerca de 30 milhões de pessoas.

Para o presidente internacional da Fundação AIS, Thomas Heine-Geldern, “é bastante significativa” a intenção de oração do Papa Francisco “para a comunidade cristã”. “Orar pelos nossos irmãos e irmãs perseguidos e discriminados é um dos pilares” da missão da Ajuda à Igreja que Sofre desde o seu início, recorda Heine-Geldern. “Por isso, estamos extremamente honrados em ser uma parte activa deste vídeo do Santo Padre”, acrescentou.

Para Catarina Bettencourt, a directora do secretariado português da Fundação AIS, é “excelente” saber que “o Papa Francisco volta a alertar a comunidade internacional para o drama dos cristãos perseguidos no mundo”, pois as suas palavras “são também um testemunho precioso para o trabalho que fazemos todos os dias em favor da Igreja que é perseguida, da Igreja que sofre”. 

Segundo o último Relatório publicado pela Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, relativo ao período entre Junho de 2016 a Junho de 2018, este é um direito humano cada vez mais ameaçado e muitas vezes ignorado pelos meios de comunicação social.

O Relatório pretende alertar “para a situação em que se encontram milhares de pessoas em todo o mundo, vítimas da intolerância, fanatismo religioso e terrorismo, mas também da violência exercida por grupos radicais, actores estatais e regimes autoritários”.

Analisando a questão da liberdade religiosa em todo o mundo, conclui-se que em 38 países ou territórios se verificou, no período em análise, uma “violação significativa” deste direito humano, registando-se casos de “perseguição” e de “discriminação” das pessoas por causa das questões de fé.

E os cristãos, como o Papa relembra na mensagem vídeo de Março, são a comunidade religiosa mais atacada. Só no ano passado, quarenta missionários foram assassinados em todo o mundo. São inúmeros os casos documentados de violência contra os cristãos.

No Egipto, por exemplo, sete coptas foram assassinados quando o autocarro em que viajavam no deserto, a caminho do mosteiro de São Samuel, foi alvejado por homens armados, num ataque em tudo semelhante ao que vitimou quase três dezenas de peregrinos em Maio de 2017.

O ano de 2019 começou com um ataque terrorista na Catedral de Jolo, nas Filipinas, durante a Santa Missa. Vinte e três cristãos foram mortos nesse domingo, dia 27 de Janeiro.

E muitos outros cristãos têm sido vítimas de perseguição por vezes com a cumplicidade das próprias autoridades. É o caso do Paquistão e da famigerada Lei da Blasfémia que arrastou a cristã Asia Bibi para longos nove anos na cadeia, após ter sido sentenciada à morte por ter bebido um copo de água de um poço.

O seu caso acabou por ser revisto no passado dia 29 de Janeiro pelo Supremo Tribunal de Justiça, mas o facto de ter sido ilibada de todas as acusações não impede que sobre ela permaneça a ameaça de morte por grupos radicais mobilizados pelo partido Tehreek-e-Labbaik Pakistan.

Calcula-se que, no Paquistão, estejam actualmente encarcerados mais de 25 cristãos por causa também a Lei da Blasfémia.

Em muitos países do mundo, os cristãos são discriminados, perseguidos, torturados, presos – por vezes até em campos de trabalho forçado – e mortos. Como recorda o Papa Francisco no Vídeo de Março, “há mais mártires hoje do que havia nos primeiros séculos”.

Em Portugal o Apostolado da Oração – Rede Mundial de Oração do Papa, divulga estas intenções e reza por elas. São cerca de 40 milhões de pessoas no mundo inteiro.

Em anexo encontra uma INFOGRAFIA criada para apresentar a situação dos cristãos perseguidos no mundo.

Educris|05.03.2019


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