
Papa encontrou-se com comunidade cigana de Košice e lembrou que “os juízos” sobre os outros e os “preconceitos só aumentam as distâncias”
No terceiro dia da visita histórica à Eslováquia o Papa visitou a comunidade cigana do bairro Luník IX, em Košice. No seu discurso Francisco criticou os que colocam “as pessoas em guetos” e os que “cultivam o fechamento” que “mais cedo ou mais tarde acaba por explodir a raiva” e pediu uma igreja capaz de “não julgar” e a olhar “para cada um”.
“Na Igreja, ninguém se deve sentir estranho nem marginalizado. E não se trata apenas de um modo de dizer, mas de um modo de ser da Igreja. Pois ser Igreja é viver como convocado por Deus, sentir-se eleito na vida, fazer parte da mesma equipa”, apontou.
Perante os ressurgimentos dos nacionalismos e da crescente intolerância perante os migrantes e “os que são diferentes” o Papa reafirmou a Igreja como “uma família de irmãos e irmãs com o mesmo Pai, que nos deu Jesus como irmão para compreendermos quanto Ele ame a fraternidade. E deseja que a humanidade inteira se torne uma família universal”.
“Que ninguém vos afaste ou a qualquer outra pessoa da Igreja”, disse o Papa à Comunidade Cigana.
Aos crentes Francisco lembrou o mandamento de “não julgar” e lamentou as vezes em que “os juízos não passam realmente de preconceitos, quantas vezes adjetivamos”.
“Deste modo desfiguramos com as palavras a beleza dos filhos de Deus, que são nossos irmãos. Não se pode reduzir a realidade do outro aos próprios modelos pré-concebidos, não se pode rotular as pessoas. Antes de mais nada, para conhecê-los realmente, é preciso reconhecê-los: reconhecer que cada um traz em si a beleza incancelável de filho de Deus, no qual se espelha o Criador”, sustentou.
O Papa recordou uma comunidade cigana tantas vezes “objeto de preconceitos e juízos cruéis, estereótipos discriminatórios, palavras e gestos difamatórios” e explicou que com esses “comportamentos “todos ficamos mais pobres, pobres em humanidade”.
“O que precisamos para recuperar a dignidade é passar dos preconceitos ao diálogo, dos fechamentos à integração”.
No final da sua intervenção Francisco insistiu na ideia de que “os juízos e os preconceitos só aumentam as distâncias” pois “colocar as pessoas em guetos não resolve nada”.
“É um processo orgânico, lento e vital, que começa com o conhecimento mútuo, prossegue com a paciência e estende o olhar para o futuro”, advogou.
Educris|14.09.2021




