Aveiro: Catequista mistagogo deve «acender corações» e conduzir ao encontro com Cristo, defende padre Juan Freitas

Sacerdote salesiano defendeu esta quinta-feira, em Aveiro, que o catequista de hoje é chamado a ser “testemunha e intérprete do mistério”, capaz de acompanhar cada pessoa no caminho da fé e de a conduzir ao encontro com Cristo.

O padre Juan Freitas, sdb afirmou hoje que a mistagogia é, antes de mais, “uma experiência de acompanhamento e descoberta”.

“A mistagogia é isto de acompanhar ao encontro, é esse descobrir Cristo na nossa vida”, afirmou.

A sua intervenção, integrada no 63.º Encontro Nacional de Catequese, que reúne até sexta-feira cerca de 90 representantes das equipas diocesanas de catequese de todo o país, o sacerdote refletiu sobre o tema «A Mistagogia: Caminhar com Cristo, do encontro ao discipulado», e defendeu a necessidade de formação pessoal, académica e comunitária para o acompanhamento das novas gerações.

“O catequista mistagogo é aquele que vive de forma séria a sua fé e que, a partir da sua própria experiência de encontro com Cristo, ajuda os outros a compreender o mistério da vida cristã”, afirmou.

Neste sentido o especialista em pastoral explicou que este papel implica duas dimensões fundamentais que passam pelo “testemunhar” e pelo saber ajudar a “interpretar”.

“Por um lado, o catequista é chamado a dar testemunho de um encontro pessoal com Cristo que anima a sua vida; por outro, deve ajudar quem acompanha a compreender o que é este mistério, o que é esta vida, o que são estes símbolos, o que é esta linguagem”, sempre no interior da comunidade cristã”, sustentou.

Mistagogia não é moda, mas tradição viva da Igreja

Ao longo da conferência, o sacerdote insistiu que a mistagogia “não é uma novidade passageira”, mas uma dimensão profunda da tradição da Igreja, redescoberta e valorizada nas últimas décadas.

“Esta dimensão mistagógica da catequese e da vida cristã não é uma moda”, afirmou, recordando que, ao longo dos séculos, vários autores, santos padres e documentos da Igreja foram sublinhando esta pedagogia.

Segundo o conferencista, esta redescoberta ganhou novo impulso com o Concílio Vaticano II, com o Diretório Geral da Catequese e com os documentos dos bispos portugueses.

“É por aqui que a gente sente que é o pulsar da vida e que é necessária esta ligação da catequese à vida de cada um, à vida da comunidade, à liturgia, àquilo que acreditamos”, referiu.

Neste sentido, alertou para a necessidade de ajudar os catequistas a perceber que a fé não se reduz ao conhecimento doutrinal.

“É importante eu aprofundar a minha fé, é importante eu conhecer a doutrina, mas perceber que não é só isso”, afirmou, defendendo o equilíbrio entre conhecimento, celebração, vida comunitária e experiência pessoal.

Emaús como modelo de acompanhamento

Tomando como referência o episódio dos discípulos de Emaús, o padre Juan Freitas apresentou Jesus como modelo do catequista mistagogo.

“Jesus põe-se a caminho com estas pessoas”, recordou, destacando os “sete verbos” do caminho de Emaús: aproximar-se, acompanhar, escutar, fazer perguntas, anunciar o querigma, levar à celebração e desaparecer.

Para o sacerdote, este itinerário oferece pistas concretas para a missão dos catequistas hoje.

“É bonito ver esta gradualidade que Jesus tem neste caminho e que é o caminho da nossa vida, que é o caminho da Igreja”, afirmou.

O grande desafio, acrescentou, é ajudar os outros a fazer a experiência de um coração transformado pelo encontro com Cristo.

“O grande desafio é acender corações, como fez Jesus.”

Ligação à liturgia e imagem do papagaio

Na parte final da intervenção, o salesiano destacou a importância da liturgia no processo catequético, sublinhando que a catequese não pode ficar fechada na sala.

“A vida de um cristão que nós queremos formar não pode ser só dentro da sala da catequese, a vida tem que ser uma experiência de comunidade”, afirmou.

Recordando o ensinamento do Concílio Vaticano II, sublinhou que a liturgia é “fonte e cume” da vida cristã, defendendo uma maior ligação entre catequese, celebração e vida comunitária.

Para ilustrar esta visão, o padre Juan Freitas recorreu à imagem do papagaio de papel, metáfora do caminho de fé.

“O catequista é este que ajuda que o papagaio voe”, explicou.

Na imagem proposta, as varetas representam a estrutura da fé; o papel, a abertura ao mistério; os quatro espaços, as etapas do itinerário catequético; o fio, a ligação à comunidade; e a cauda, a tradição da Igreja.

“É importante termos uma coluna vertebral que nos dá estabilidade”, afirmou, sublinhando que só uma fé enraizada, vivida em comunidade e ligada à tradição pode ajudar os cristãos a fazer “um voo bonito, um voo de vida”.

A tarde deste segundo dia do Encontro Nacional de Catequese aborda as novidades editoriais para o setor e propõe, em estilo sinodal, um «Laboratório de Criatividade» em vista à “criação de dinâmicas, nas dioceses, para divulgar, conhecer e rentabilizar os materiais catequéticos”.

O dia termina na Sé de Aveiro com a eucaristia, sob presidência de D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro e vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.

Imagem: PQ

Educris|09.04.2026

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