Aveiro: Encontro Nacional de Catequese destaca comunhão e reforça aposta na renovação da iniciação cristã

Iniciativa reuniu responsáveis diocesanos de todo o país em Albergaria-a-Velha

O 63.º Encontro Nacional de Catequese, que decorreu na Diocese de Aveiro entre os dias 8 e 10 de abril de 2026, voltou a afirmar-se como um “momento privilegiado de comunhão e reflexão” sobre a catequese na Igreja em Portugal. Para D. António Augusto Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, esta iniciativa representa “um grande sinal de comunhão da Igreja no país”.

“O Encontro Nacional de Catequese é, de facto, já o 63.º, o que revela uma longuíssima tradição”, sublinha, destacando ainda “a presença de todas as dioceses” e “o número tão significativo de participantes” como sinais de vitalidade e compromisso eclesial.

Uma Igreja sinodal com um projeto catequético renovado

Na leitura do responsável episcopal, no final da iniciativa, este encontro reflete também o dinamismo de uma Igreja que procura responder aos desafios atuais.

“É um sinal de uma Igreja sinodal e de uma Igreja em Portugal que tem um projeto muito sólido e muito atual, renovado de catequese”.

Segundo D. António Augusto Azevedo, o principal objetivo passa por capacitar os catequistas para a implementação do novo itinerário catequético.

“Este encontro visa preparar melhor as pessoas catequistas, nas dioceses e nas paróquias, para aproveitarem bem esta grande proposta e formarmos uma nova geração de cristãos”.

O horizonte passa por “promover não apenas conhecimento, mas um verdadeiro encontro com Cristo”.

“Queremos cristãos com espírito novo, que façam uma verdadeira iniciação cristã, um verdadeiro encontro com Cristo”, afirma.

Mistagogia: aprofundar o encontro com o mistério

Um dos temas centrais desta edição foi o terceiro tempo do novo itinerário catequético, centrado na dimensão da mistagogia. Apesar da complexidade do termo, o seu significado é essencial para compreender a renovação em curso.

“A dimensão mistagógica é uma palavra difícil, mas quer dizer esta necessidade de acompanhar e introduzir ao mistério da fé, ao mistério de Deus e de Cristo”, explica.

Para o bispo, esta dimensão responde a uma necessidade urgente.

“A catequese tem de fazer esta renovação para não ser meramente transmissão de conhecimentos, meramente escolarizada, mas ajudar a formar cristãos que, depois do encontro com o Cristo vivo, se tornem verdadeiros discípulos missionários”.

Dirigida sobretudo ao fim da infância e à adolescência, este tempo pretende “ajudar os mais jovens a ganhar gosto pela vida da Igreja”, através de uma iniciação simbólica, sacramental e experiencial da fé.

Crescimento de adultos na iniciação cristã desafia Igreja

Outro dado relevante destacado por D. António Augusto Azevedo é o aumento do número de adultos que procuram os sacramentos da iniciação cristã.

“Há que registar, com muita alegria e gratidão a Deus, o número crescente de jovens e adultos a celebrarem o batismo, a confirmação e a Eucaristia”, afirma, reconhecendo que esta tendência acompanha o que se verifica noutras regiões da Europa e do mundo.

Este crescimento coloca novos desafios à Igreja em Portugal, nomeadamente ao nível da resposta formativa: “Teremos de preparar uma proposta de iniciação cristã para adultos mais substancial. Estamos um pouco atrasados nesse trabalho e precisamos de avançar”.

Um desafio futuro: aprofundar o catecumenado de adultos

A valorização do catecumenado de adultos surge, assim, como uma prioridade para os próximos anos. “Temos que valorizar ainda mais a mistagogia nesse processo catecumenal, porque não está suficientemente trabalhada”, reconhece.

Neste momento, o foco está na implementação do novo itinerário para crianças e adolescentes, com novos materiais e formação de catequistas. No entanto, o futuro já se desenha com novos desafios.

“Temos à nossa frente uma nova tarefa: criar respostas e propostas para que a iniciação destes adultos seja profunda, robusta e sólida”, afirma.

O objetivo final mantém-se: garantir que este percurso conduza a uma verdadeira descoberta da fé e a uma integração plena na comunidade cristã. “Queremos que seja um caminho de verdadeira inserção na vida da Igreja”, conclui.

Educris|10.04.2026

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