Irmã Arminda Faustino sublinha importância do tempo pascal no aprofundamento da fé
O 63.º Encontro Nacional de Catequese, realizado entre os dias 8 e 10 de abril de 2026, em Albergaria-a-Velha, destacou a centralidade da mistagogia no percurso catequético da Igreja em Portugal. Para a irmã Arminda Faustino, coordenadora do Departamento de Catequese no Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), o contexto pascal dá especial sentido ao tema escolhido.
“Não é por acaso que este encontro acontece na oitava da Páscoa. Este é o tempo por excelência para aprofundarmos o que é a mistagogia e o que aconteceu naquela grande noite da Vigília Pascal”, afirmou.
Do encontro ao discipulado: um caminho para toda a Igreja
Sob o tema «Mistagogia: do encontro ao discipulado», o encontro refletiu sobre o percurso essencial da vida cristã. Segundo a responsável, este é “o grande desafio” da catequese e da vida eclesial.
“É aquilo que nós pretendemos na vida cristã e particularmente na catequese com todos, não só com crianças e adolescentes, mas também com as famílias e as comunidades cristãs”, explicou.
A irmã Arminda Faustino recordou que este caminho está estruturado no novo «Itinerário de Iniciação à Vida Cristã das Crianças e dos Adolescentes com as Famílias», aprovado em 2022 pelos bispos portugueses, organizado em quatro etapas: despertar da fé, iniciação à vida cristã, aprofundamento mistagógico e discipulado missionário.
Novos materiais catequéticos já em desenvolvimento
No seguimento da implementação deste itinerário, têm vindo a ser desenvolvidos diversos recursos pedagógicos.
“Começámos logo a construir os vários materiais catequéticos e neste momento temos já os dois volumes do aprofundamento mistagógico completos, um deles prestes a ver a luz do dia”, revelou.
Também na área do discipulado missionário existem já materiais disponíveis, sinal do esforço contínuo de renovação da catequese em Portugal.
Formar catequistas para um caminho comum
A responsável destacou ainda o papel fundamental dos catequistas neste processo, sublinhando a importância do Encontro Nacional como momento de articulação e formação.
“Este encontro é o ponto alto do ano, onde reunimos os secretariados e as suas equipas para acertarmos o passo e falarmos todos a mesma linguagem, que é a linguagem do amor e da comunhão na Igreja”, afirmou.
O objetivo passa por ajudar os catequistas a sentirem-se mais preparados e confiantes: “Queremos que se apropriem deste caminho e se sintam mais à vontade e seguros para avançar”.
Crescimento da participação revela sede de renovação
Questionada sobre o aumento significativo de participantes nos encontros nacionais após a pandemia, a irmã Arminda Faustino interpreta este fenómeno como sinal de um desejo mais profundo.
“Há uma vontade de algo novo, um desejo que está no coração das pessoas e que acredito ser movido pelo Espírito Santo”, referiu.
Este dinamismo é particularmente visível no acompanhamento dos adolescentes, que colocam novos desafios à ação catequética: “Precisamos de os conhecer melhor, perceber as suas inquietações e responder ao que realmente precisam, não apenas ao que achamos que deveriam saber”.
Mais do que números, um caminho partilhado
Já em outubro o Departamento de Catequese organiza as Jornadas Nacionais de Catequistas que tem vindo a ter um crescimento exponencial no número de participantes.
Apesar da crescente adesão, a responsável relativiza a importância dos números, destacando antes a dimensão missionária da catequese.
“Não nos interessam tanto os números. O Senhor começou com doze”, recordou, acrescentando que o essencial é continuar a chamar outros a este caminho.
“Estamos aqui porque outros nos introduziram na fé. Hoje somos nós com outros, chamados a caminhar juntos e a responder ao que o Senhor nos pede”, concluiu.
Imagem: Manuel Costa/AE
Educris|13.04.2026



