
Bispo de Aveiro lembra que a catequese deve proporcionar um “acompanhamento próximo” e reafirma aposta na formação dos catequistas
D. António Moiteiro considerou hoje que a Diocese de Aveiro deve “promover mais qualidade e entusiasmo na missão da catequese”, e considera este setor como “insubstituível para a ação da Igreja”.
“A pastoral da Igreja não pode prescindir do contexto sociocultural em que se vive. Sempre que a Igreja sente necessidade de rever e de aperfeiçoar a sua ação evangelizadora, passa sempre pela renovação da catequese”, afirma D. António Moiteiro, na mensagem ‘Dar Novo Impulso à Catequese’, publicada hoje no sítio da Diocese de Aveiro na internet.
Para o prelado o “ressoar” da catequese é “um momento estruturante da evangelização” e dev “ser entendida como um processo que integra vários momentos”.
“A catequese conta com uma sequência própria, como etapas de um itinerário dinâmico, em que os momentos se completam e implicam mutuamente. A catequese é, pois, um momento do processo de evangelização, o momento ‘fundamental’ e ‘prioritário’ de evangelização, pois lança as bases que podem dar solidez à vida cristã (cf. DGC 63 e 64)”.
D. António Moiteiro sustenta a necessidade de “catequese evangelizadora” que “não se limita a uma dimensão funcional em ordem à celebração de festas e de sacramentos, mas que está ao serviço da maturação da fé dos catequizandos”.
Olhando para o modo como hoje a Igreja realiza a “iniciação cristã”, o prelado considera que é dever dos crentes “oferecer a todos um itinerário de iniciação para o Batismo ou para a Confirmação ou, ainda, para retomar a vida cristã”.
Mais do que “informar, instruir ou convencer”
Para D. António Moiteiro “a catequese parte da condição que o próprio Jesus indicou, «aquele que crer», aquele que se converter, aquele que se decidir. As duas ações são essenciais e reclamam-se mutuamente: ir e acolher, anunciar e educar, chamar e inserir (cf. DGC 61)”.
“A iniciação cristã procura introduzir os cristãos na dinâmica do anúncio/testemunho do kerigma, que consiste em proclamar que em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todas as pessoas, como dom da graça e da misericórdia de Deus”, afirma.
Assim mais do que “informar, instruir ou convencer”, pretende-se que “as crianças e pais/educadores possam experienciar a alegria do encontro com Jesus Cristo, que nos revela o Pai na força do Espírito, sendo introduzidos aos principais mistérios da fé cristã”.
“Queremos que possam caminhar num grupo de fé como discípulos de Jesus, aderindo ao seu projeto num dinamismo de conversão permanente, escutando a sua Palavra e vivendo na prática da oração e, finalmente, sejam introduzidos à liturgia e à vida da Igreja mediante um itinerário formativo e pela celebração dos sacramentos”, desenvolve.
Um novo Itinerário Nacional de Catequese: A centralidade da Família
Olhando para o momento atual, em que “a Igreja toma consciência da descristianização do ambiente social”, D. António Moiteiro, também presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) refere a urgência de colocar o foco na renovação da ação pastoral numa perspetiva de evangelização” pois “os tempos requerem que demos a devida ênfase à catequese, nomeadamente com adultos e com os jovens”.
“Toda a catequese, em especial a dos adultos, põe o acento em garantir a vida de fé, e inclusive suscitá-la e despertá-la quando se extinguiu ou sobrevive com debilidade. Nenhuma dimensão da pessoa humana será descurada”, alerta.
Olhando para o «Novo Itinerário Nacional de Catequese», que amanhã vai ser apresentado nas Jornadas Nacionais da Catequese, em Fátima, D. António apresenta-o como uma oportunidade para renovar “o conjunto da infância e da adolescência” de modo a criar “uma catequese capaz de envolver e dar destaque à família, como protagonista, onde os filhos e os pais fazem uma caminhada de fé e a sua iniciação cristã”.
“Privilegia-se um acompanhamento do processo de adesão a Jesus Cristo no qual as etapas são mais balizadas pela maturidade da pessoa do que pela idade – uma catequese inclusiva, dirigida não só às crianças, mas também às famílias”.
Catequistas: A urgência da formação
Aos catequistas o prelado lembra que o “ser catequista é a resposta a um chamamento, sentido no íntimo do coração” e desafia os agentes a star atentos e a escutar aqueles com quem fazem caminho.
“Na catequese, por vezes, ensinamos o que achamos necessário sem ouvir o que está no coração do interlocutor. Tenhamos sempre presente que o diálogo serve tanto para criar laços como para formar e indicar os procedimentos pedagógicos mais adequados”.
No final da sua mensagem D. António Moiteiro lembra que a alteração do “paradigma da catequese” deve levar a uma aposta na formação dos catequistas”.
“Não se pretende ‘ensinar’, mas criar espaço e oportunidade para o encontro, pois somente um catequista que tenha feito o encontro com Cristo está em condições de o anunciar aos outros”, reafirma apontando o itinerário formativo «Ser Catequista» como essencial.
«A formação do catequista compreende várias dimensões. A mais profunda refere-se ao ‘ser catequista’, ainda antes do ‘fazer de catequista’. Com efeito, a formação ajuda-o a amadurecer como pessoa, como crente e como apóstolo”, completa.
Educris|22.10.2021



