Ângelus: A missão de orientar os outros e o «cuidado da língua»

Francisco recitou o Ãngelus na praça de São Pedro, no Vaticano, e meditou sobre o evangelho do VIII Domingo do Tempo Comum. O Papa lembrou a mensagem de Jesus “e o seu modo de liderar” e aconselhou “todos a “terem cuidado com a língua” porque é por ela “que começam as guerras”.

Leia, na íntegra, a alocução do Santo Padre

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A passagem do Evangelho de hoje apresenta breves parábolas, com as quais Jesus quer mostrar aos seus discípulos o caminho a seguir para viver sabiamente. Com a pergunta: «Pode um homem cego guiar outro cego»(Lc 6, 39), deseja enfatizar que o guia não pode ser cego, mas deve fazer o bem, deve ter a sabedoria para conduzir com sabedoria, caso contrário, corre o risco de causar danos às pessoas que dependem dele. Jesus chama assim a atenção daqueles que têm a responsabilidade pela educação ou de comando: os pastores de almas, autoridades públicas, legisladores, professores, pais, instando-os a serem conscientes do seu papel delicado e a discernir sempre o caminho certo na condução das pessoas.

E Jesus toma uma expressão sapiencial para se indicar a si mesmo como modelo de professor e guia a ser seguido: «Um discípulo não é mais que o mestre; mas todo aquele que está bem preparado será como o seu mestre» “(v. 40). É um convite para seguir o seu exemplo e o seu ensino de modo a ser-se guia seguro e sábio. E este ensinamento está especialmente contido no discurso da montanha, que nos três domingos anteriores a liturgia nos oferece no Evangelho, indicando a atitude de mansidão e misericórdia para ser pessoas sinceras, humildes e justas. Na passagem de hoje encontramos outra frase significativa, que nos exorta a não sermos presunçosos e hipócritas. Diz assim: «Por que olhas para o argueiro do olho do teu irmão e não reparas na trave do teu olho?» (V. 41). Tantas vezes, todos nós sabemos, é mais fácil ou mais conveniente discernir e condenar os defeitos e pecados dos outros, sem ver os seus com tanta clareza. Sempre escondemos as nossas falhas, também as escondemos de nós mesmos; em vez disso, é fácil ver os defeitos dos outros. A tentação é ser indulgente consigo mesmo – e com toda a largueza – e com os outros. É sempre útil ajudar os outros com sábios conselhos, mas enquanto observamos e corrigimos os defeitos do nosso próximo, também devemos estar cientes de que temos defeitos. Se eu acredito que não os tenho, não posso condenar ou corrigir os outros. Todos nós temos falhas: todos. Devemos estar conscientes disso e, antes de condenar os outros, devemos olhar para dentro de nós mesmos. Podemos assim agir de maneira credível, com humildade, testemunhando a caridade.

Como podemos entender se nossos olhos estão livres ou bloqueados com uma trave? É ainda Jesus que nos diz: «Não há árvore boa que produz frutos maus, nem árvore má que produza bons frutos. De facto, toda a árvore é reconhecida pelo seu fruto» (vv.43-44). A fruta são ações, mas também palavras. Também através das palavras se conhece a qualidade da arvore. De facto, o que é bom e que traz no seu coração está a sua boa boca e quem é mau tira para fora coisas más, praticando o exercício mais prejudicial entre nós, que é a coscuvilhice, o murmurar, falando mal dos outros. Isso destrói; destrói a família, destrói a escola, destrói o local de trabalho, destrói o bairro. As Guerras começam pela língua. Vamos pensar um pouco sobre este ensinamento de Jesus e fazer, a nós mesmos, a pergunta: falo mal das outras pessoas? Tento sujar os outros? É mais fácil para mim ver as falhas dos outros do que as minhas? E tentemos corrigir-nos pelo menos um pouco: isso far-nos-á bem a todos.

Invocamos o apoio e a intercessão de Maria para seguir o Senhor neste caminho.

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