
Na recitação do Ângelus deste Domingo o Papa comentou a passagem do evangelho em que uma mulher pede a Jesus a cura da sua filha. Francisco destacou a “fé grande da mulher” que passa por “apresentar a Jesus a sua vida” na esperança que Ele “a cure. Aos fiéis o Papa deixou o desafio de “apresentar a Jesus a sua vida, com as suas luzes e sombras” e a “ler, diariamente, uma passagem do Evangelho onde Jesus se revela”.
Leia, na íntegra, a alocução do Santo Padre
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo (cf. Mt 15, 21-28) descreve o encontro de Jesus com uma mulher cananeia. Jesus está no norte da Galileia, em território estrangeiro, para estar com os seus discípulos um pouco afastado das multidões, que o procuram cada vez mais. E aí vem uma mulher que implora por ajuda para a sua filha doente: «Tem piedade de mim, Senhor!» (v. 22). É o choro que vem de uma vida marcada pelo sofrimento, pela sensação de desamparo de uma mãe que vê a filha atormentada pelo mal e não consegue curá-la. Jesus ignora-a inicialmente, mas esta mãe insiste, insiste, mesmo quando o Mestre diz aos discípulos que a sua missão é dirigida apenas às «ovelhas perdidas da casa de Israel» (v. 24) e não aos pagãos. Ela continua a implorar e, a certo ponto, ele testa-a citando um provérbio – que parece quase cruel -: «Não está certo tomar o pão dos filhos e atirá-lo aos cães» (v. 26). E a mulher imediatamente responde, despachada e angustiada: «É verdade, Senhor, mas até os cães comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos» (v. 27).
Com estas palavras esta mãe demonstra que intuiu que a bondade do Deus Altíssimo, presente em Jesus, está aberta a todas as necessidades das suas criaturas. Esta sabedoria cheia de confiança atinge o coração de Jesus e arranca-lhe palavras de admiração: «Mulher, grande é a tua fé! Que seja feito para você como como desejas» (v. 28). Qual é a grande fé? A grande fé é aquela que traz aos pés do Senhor a sua própria história, também marcada por feridas, pedindo-lhe que a cure, que lhe dê sentido. Cada um de nós tem a sua própria história e nem sempre é uma história límpida; muitas vezes é uma história difícil, com tantas dores, tantas angústias e tantos pecados. O que faço eu com a minha história? Escondo-a? Não! Devemos trazê-la diante do Senhor: “Senhor, se quiseres, podes curar-me!”. Assim nos ensina esta mulher, esta boa mãe: a coragem de levar a sua própria história de dor diante de Deus, de Jesus; tocar a ternura de Deus, a ternura de Jesus, façamos a prova desta história, desta oração: cada um pense na sua história. Há sempre coisas más numa história, sempre. Vamos até Jesus, vamos tocar no coração de Jesus e dizer-lhe: “Senhor, se fores tu podes curar-me!”. E poderemos fazer isto se tivermos sempre o rosto de Jesus diante de nós, se entendermos como é o coração de Cristo: um coração que tem compaixão, que carrega sobre si as nossas dores, que carrega sobre si os nossos pecados, os nossos erros, os nossos fracassos.
Mas é um coração que nos ama como somos, sem maquilhagem. “Senhor, se quiseres, podes curar-me!”. E para isso é preciso entender Jesus, estar familiarizado com Jesus. E eu volto sempre ao conselho que já aqui vos dei: Trazei convosco sempre um pequeno Evangelho no bolso e lede uma passagem todos os dias. Trazei o Evangelho: na bolsa, no bolso e até no telemóvel, para ver Jesus, e aí vais encontrar Jesus como Ele é, como Ele se apresenta; aí encontrareis Jesus que nos ama, que nos ama muito, que nos ama muito. Lembremo-nos da oração: “Senhor, se quiseres podes curar-me!”. Bela oração. Que o Senhor nos ajude, todos nós, a rezar esta bela oração que uma mulher pagã nos ensina: não cristã, não judia, mas pagã.
A Virgem Maria interceda com a sua oração, para que cresça em cada batizado a alegria da fé e o desejo de comunicá-la com o testemunho de uma vida coerente, que nos dê a coragem de nos aproximarmos de Jesus e dizer-lhe: «Senhor, se quiserdes podes curar-me! ”.
Tradução Educris a partir do original em italiano




