
Antes da partir para os Emirados Árabes, naquela que é a sua 37ª viagem apostólica, o Papa Francisco recitou, no Vaticano, a oração mariana do Ângelus. Ao comentar o evangelho deste domingo Francisco pediu discípulos “corajosos perseverantes” capazes de seguir o impulso “do Espírito Santo” e de servir os mais pobres “sem privilégios ou exclusivos”.
Leia,na Íntegra, a alocução do Papa Francisco
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No domingo passado a liturgia propunha, para nós, o episódio da sinagoga de Nazaré, onde Jesus lê uma passagem do profeta Isaías e, no final, revela que essas palavras foram cumpridas “hoje” nele. Jesus apresenta-se como aquele em que ele pousou o Espírito do Senhor, o Espírito Santo que o consagrou e enviou para cumprir a missão de salvação da humanidade. O Evangelho de hoje (cf. Lc 4,21-30) é a continuação dessa história, e mostra-nos o espanto dos seus concidadãos ao ver que um do seu país «o filho de José» (v. 22), afirma ser o Cristo, o enviado do Pai.
Jesus, com a sua capacidade de penetrar nas mentes e nos corações, compreende imediatamente o que pensam os seus concidadãos. Eles acreditam que, como ele é um deles, ele deve demonstrar essa sua estranha “pretensão” fazendo milagres ali, em Nazaré, como fez em países vizinhos (vv. 23). Mas Jesus não quer e não pode aceitar esta lógica, porque não corresponde ao plano de Deus: Deus quer fé, eles querem milagres, sinais; Deus quer salvar a todos e eles querem um Messias a seu favor. E para explicar a lógica de Deus, Jesus traz o exemplo de dois grandes profetas antigos: Elias e Eliseu, a quem Deus enviara para curar e salvar pessoas não-judias, de outros povos, mas que haviam confiado na sua palavra.
Diante deste convite a abrir os seus corações para a gratuidade e a universalidade da salvação, os cidadãos de Nazaré rebelam-se, e assumem mesmo uma postura agressiva, que degenera ao ponto que «Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina […] a fim de O precipitarem dali abaixo. (v. 29). A admiração do primeiro momento transformou-se numa agressão, uma rebelião contra ele.
Este Evangelho mostra-nos que o ministério público de Jesus começa com uma rejeição e com uma ameaça de morte, paradoxalmente por parte dos seus concidadãos. Jesus, vivendo a missão confiada a ele pelo Pai, sabe que deve enfrentar fadiga, rejeição, perseguição e derrota. Um preço que, ontem como hoje, a autêntica profecia é chamada a pagar. A dura rejeição, no entanto, não desestimula Jesus, nem impede o caminho e a fecundidade da sua ação profética. Ele segue o seu caminho (vv. 30), confiando no amor do Pai.
Também hoje, o mundo precisa de ver, nos discípulos do Senhor, os profetas, isto é, as pessoas corajosas e perseverantes em responder à vocação cristã. Pessoas que seguem o “impulso” do Espírito Santo, que as envia a proclamar esperança e salvação aos pobres e excluídos; pessoas que seguem a lógica da fé e não da miraculosidade; pessoas dedicadas ao serviço dos todos, sem privilégios e exclusivos. Em poucas palavras: pessoas que estão abertas a aceitar em si a vontade do Pai e estão comprometidas em testemunhá-la fielmente aos outros.
Rezemos a Maria Santíssima, para que possamos crescer e caminhar no mesmo zelo apostólico pelo Reino de Deus que animou a missão de Jesus.
Tradução Educris a partir do original em Italiano
Educris|03.02.2019




