Ângelus: «O amor é o investimento mais seguro», afirma o Papa

Leão XIV apelou hoje à partilha generosa dos dons e alertou para o esvaziamento da vida no consumismo

O Papa apareceu hoje à janela do Palácio Apostólico e dirigiu-se aos fiéis, reunidos na Praça de São Pedro, apresentando uma reflexão centrada no evangelho deste domingo, e onde Jesus afirma que «onde está o teu tesouro, aí está o teu coração».

O Santo Padre apelou a uma vida de partilha, generosidade e atenção ao próximo, em vez de acumulação de bens e egoísmo.

“Jesus exorta-nos a não guardar para nós os dons que Deus nos deu, mas a empregá-los com generosidade para o bem dos outros, especialmente daqueles que mais precisam da nossa ajuda”, afirmou, citando as palavras de Cristo: «Vendei os vossos bens e dai-os de esmola» (Lc 12,33).

Leão XIV sublinhou que esta partilha vai muito além dos bens materiais, envolvendo o tempo, o afeto, a empatia e a presença e voltou a reafirmar a convicção de que o consumismo pode esvaziar a vida.

“O dom de Deus que somos não foi feito para se esgotar assim. Precisa de espaço, de liberdade, de relação, para se realizar e se exprimir: precisa do amor que transforma e enobrece”, desenvolveu.

Citando Santo Agostinho, Leão XIV reforçou a ideia de que tudo o que é oferecido com amor se transforma: “O que dás será transformado, porque tu serás transformado”. E ilustrou com exemplos do quotidiano: “Uma mãe que abraça os seus filhos, dois namorados juntos… não se sentem as pessoas mais ricas do mundo?”, questionou.

No final da sua reflexão o papa americano deixou o apelo à “vigilância no amor”, numa atitude permanente a “estar atentos, prontos, sensíveis uns para com os outros, do modo como Ele está connosco em cada momento”.

Apelos à paz e à solidariedade

Após a recitação do Ângelus, o Papa renovou os seus apelos à paz, recordando os 80 anos dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki.

 “Que aqueles que tomam decisões tenham sempre presente a sua responsabilidade pelas consequências das suas escolhas sobre as populações”.

Felicitou ainda a Arménia e o Azerbaijão pela assinatura de uma Declaração Conjunta de Paz, esperando que este passo possa contribuir para uma paz duradoura no sul do Cáucaso.

Ainda antes de se despedir dos fiéis com o já habitual “bom domingo” o papa manifestou profunda preocupação com a crise no Haiti, referindo-se a relatos de violência extrema, sequestros e tráfico humano.

 “Lanço um forte apelo a todos os responsáveis para que os reféns sejam libertados imediatamente. Peço também o apoio concreto da comunidade internacional para criar condições sociais e institucionais que permitam aos haitianos viver em paz”, completou.

Educris|10.08.2025

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