
Novo diretor diocesano apela ao compromisso do clero com a catequese e reforça necessidade de formação continua dos diversos agentes
Nomeado recentemente para liderar o Serviço Diocesano para a Evangelização, Catequese e Missões da Diocese de Angra, o padre Bruno Rodrigues reconhece os desafios do cargo, mas afirma-se preparado para esta nova missão, que considera exigente e marcada pela necessidade de formação e comunhão.
Em entrevista ao EDUCRIS, o sacerdote natural da ilha do Faial e padre há 15 anos assumiu “com algum temor e tremor” a nova responsabilidade, reconhecendo a importância estratégica do setor catequético e missionário na vida da Igreja. “Embora não seja um campo desconhecido, é um campo exigente, mas penso estar preparado para abraçar este desafio com a colaboração dos catequistas, párocos e de todos os que se queiram envolver nesta missão”, afirmou.
Para o novo diretor, a formação contínua dos catequistas e dos restantes agentes da pastoral evangelizadora será uma das principais prioridades.
“A preocupação será, sem dúvida, a formação, porque ela é fundamental”, sublinhou, destacando ainda a necessidade de maior envolvimento das famílias e da comunidade no processo catequético.
Com experiência consolidada na catequese na ouvidoria da Horta, onde se encontra há 14 anos, o sacerdote defende um trabalho pastoral mais articulado e em rede, sobretudo tendo em conta a realidade insular da Diocese de Angra.
“A nossa diocese tem características muito próprias por ser um arquipélago, mas trabalharemos para unir esforços, estreitar laços e estender pontes entre as ilhas”, garantiu.
Um dos exemplos dessa sinergia é o Dia do Catequista do Canal, iniciativa que já reuniu catequistas das ilhas do Faial e do Pico, e que em 2026 deverá estender-se ao triângulo Faial–Pico–São Jorge.
“São sinais de comunhão, de aproximação e de sinodalidade”, sustentou.
Entre os desafios apontados pelo novo diretor está a implementação do novo Itinerário de Catequese, cujo acolhimento por parte do clero tem sido, segundo admite, pouco entusiástico.
“Acho que não existe muito entusiasmo da parte dos párocos em relação a este novo Itinerário. Alguns talvez nem o conheçam, ou simplesmente não querem saber dele”, lamentou.
O novo responsável diocesano defende que a renovação da catequese exige o empenho de todos, especialmente dos sacerdotes.
“Os pastores não podem relegar esta missão apenas para os coordenadores ou catequistas. Mesmo que não tenham formação para a liderar, podem sempre recorrer ao Secretariado Diocesano, que está disponível para apoiar”, afirmou, alertando para os riscos de uma catequese frágil devido à falta de formação dos seus agentes.
“Se não houver essa colaboração, se não houver esse entrosamento o tripé não se mantém firme, há um pé da mesa que vai falhar e a mesa não se vai manter firme”, advogou.
Apresentando-se em “espírito de continuidade” com o trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, padre Jacob Vasconcelos, o sacerdote destacou “a energia colocada pelo padre Jacob no terreno” e o esforço de mobilização junto dos colegas sacerdotes.
“O trabalho do padre Jacob e da sua equipa foi a de lavrar a terra, de trabalhar com toda a energia no terreno e, sobretudo, insistindo junto dos colegas, porque isso é muito importante”, concluiu.
Educris|25.08.2025

