Audiência-geral: «A Igreja é sacramento da união com Deus e da unidade de todo o género humano»

Na catequese desta quarta-feira, na Praça de São Pedro, o Pontífice aprofundou a Constituição Lumen gentium, do Concílio Vaticano II

O Papa Leão XIV prosseguiu o ciclo dedicado aos documentos do Concílio Vaticano II, centrando a sua reflexão na Constituição dogmática Lumen gentium e, em particular, no seu primeiro número: «O mistério da Igreja, sacramento da união com Deus e da unidade de todo o género humano».

Dirigindo-se aos fiéis o pontífice explicou que o Concílio, ao descrever a Igreja, começou por esclarecer a sua origem. Para tal, recorreu ao termo “mistério”, inspirado nas Cartas de São Paulo, não para indicar algo obscuro ou incompreensível, mas antes “uma realidade outrora escondida e agora revelada”.

Segundo o Papa, para São Paulo o “mistério” refere-se ao desígnio de Deus de unificar todas as criaturas através da ação reconciliadora de Jesus Cristo, concretizada na sua morte na cruz.

“Esta unidade torna-se visível, antes de mais, na assembleia litúrgica, onde as diferenças são relativizadas pela força do amor de Cristo, que derrubou os muros de separação entre pessoas e grupos sociais”.

O Santo Padre sublinhou que a Igreja é precisamente este “mistério” tornado percetível: “uma assembleia convocada por Deus — ekklesía — formada por aqueles que acreditaram no anúncio do Evangelho e se deixam atrair pela cruz de Cristo”.

Leão XIV alertou para uma consciência de que “esta convocação não se destina a um grupo restrito, mas é chamada a alargar-se a toda a humanidade”.

Citando o primeiro número da Lumen gentium, recordou que «a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano». Ao recorrer ao termo “sacramento”, o Concílio quis afirmar que a Igreja é sinal eficaz da ação de Deus na história; ao designá-la também como “instrumento”, evidenciou que se trata de um sinal ativo, através do qual Deus continua a agir e a envolver as pessoas na sua obra de salvação.

O Papa destacou ainda que a “união com Deus se reflete necessariamente na união entre as pessoas humanas, constituindo uma autêntica experiência de salvação”. Neste contexto, evocou também o capítulo VII da Lumen gentium, onde a Igreja é apresentada como “sacramento universal de salvação”, nascida do mistério pascal de Cristo — paixão, morte e ressurreição — e animada pelo Espírito Santo.

Na conclusão da sua catequese o pontífice convidou os fiéis a “redescobrirem a gratidão por pertencer à Igreja, corpo de Cristo ressuscitado e povo de Deus peregrino na história”, chamado a viver como “presença santificadora no meio de uma humanidade” ainda marcada pela fragmentação, e tornando-se “sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos”.

Imagens: EDUCRIS

Educris|19.02.2026

Scroll to Top