Audiência-geral: «Não há nada mais humano, nada mais divino, do que saber dizer eu preciso», afirma o Papa

Na audiência geral desta quarta-feira, no Vaticano, o Papa Leão XIV meditou sobre a cruz de Cristo e lembrou que “Jesus salva mostrando-nos que pedir não é indigno, mas libertador”

O Papa Leão XIV deu hoje continuidade às suas catequeses de quarta-feira e refletiu sobre o grito de Jesus na cruz — «Tenho sede» (Jo 19,28) — revelando não apenas a dimensão humana do sofrimento de Cristo, mas também o caminho espiritual de todos os crentes: a necessidade de amar, pedir e ser ajudado.

“Na cruz, Jesus não aparece como um herói vitorioso, mas como um mendigo de amor,” afirmou o Papa, sublinhando que esse gesto de humildade “revela o sentido de toda a existência do Filho de Deus.”

Integrada no ciclo dedicado ao Jubileu 2025 e sob o tema «Jesus Cristo, Nossa Esperança», a reflexão centrou-se no episódio da crucificação. O Papa convidou todos os cristãos a lerem neste momento de dor “o grito silencioso de um Deus” que “se deixa atravessar pela sede” — uma sede que não é apenas física, mas profundamente espiritual.

“O amor, para ser verdadeiro, também deve aprender a pedir e não apenas a dar”, disse, acrescentando que “ninguém pode salvar-se sozinho” e que “a vida realiza-se não quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber”, desenvolveu.

O Papa destacou o paradoxo cristão segundo o qual Deus não salva através da força, mas através da fraqueza voluntária.

“Este é o paradoxo cristão: Deus salva não fazendo, mas deixando-se fazer. […] A salvação não está na autonomia, mas em reconhecer com humildade a própria necessidade”, disse.

Numa sociedade marcada pela lógica da eficiência e da autossuficiência, Leão XIV advertiu contra a tentação de esconder as próprias fragilidades.

“Vivemos numa época que premeia a autossuficiência […] mas o Evangelho mostra-nos que a medida da nossa humanidade não é dada pelo que podemos conquistar, mas pela capacidade de nos deixarmos amar”, sintetizou.

“Na sede de Cristo podemos reconhecer toda a nossa sede. […] Se tivermos a coragem de reconhecê-la, podemos descobrir que também a nossa fragilidade é uma ponte para o céu.”

O Papa encerrou a catequese apelando à “humildade” e à “fraternidade” como caminhos de verdadeira liberdade, reforçando que a salvação está em saber estender a mão a quem mais precisa.

“Não nos envergonhemos de estender a mão. É precisamente aí, nesse gesto humilde, que se esconde a salvação”, concluiu.

Educris|04.09.2025

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