Audiência-geral: Num Mundo «marcado pelo mal» o cristão reza para que «venha o Teu Reino»

Na nona catequese sobre o “Pai Nosso” o Papa Francisco refletiu sobre a expressão “venha o Teu Reino”. O Papa considerou que hoje “existem muitos sinais bons do reio de Deus já na terra” mas que o cristão deve continuar a pedir ao Mestre “que venha pois Jesus não faz proselitismo ao anunciar que o Pai nos ama”.

Leia, na íntegra, a catequese do Papa

Catequese sobre “Pai Nosso”: 9. Venha o Teu Reino

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quando oramos “Pai Nosso”, a segunda invocação com a qual nos voltamos para Deus é «venha o Teu Reino» (Mt 6,10). Depois de orar para que o seu nome seja santificado, o crente expressa o desejo de que a vinda do seu Reino seja breve. Este desejo brota, por assim dizer, a partir do coração de Cristo, que começou a sua pregação na Galileia, proclamando: Cumpriu-se o tempo e o reino de Deus está próximo; convertei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1,15). Estas palavras não são uma ameaça, pelo contrário, são um anúncio feliz, uma mensagem de alegria. Jesus não quer forçar as pessoas a se converterem semeando o temor do julgamento de Deus ou o sentimento de culpa pelo mal cometido. Jesus não faz proselitismo: ele simplesmente anuncia. Pelo contrário, aquilo que Ele traz é a Boa Nova da salvação, e a partir dela chama à conversão.  Todos são convidados a acreditar no “evangelho”: a excelência de Deus tornou-se próximo dos seus filhos. Este é o Evangelho: o senhorio de Deus se tornou próximo dos seus filhos. E Jesus proclama esta coisa maravilhosa, esta graça: Deus, o Pai, ama-nos, está perto de nós e ensina-nos a andar no caminho da santidade.

Os sinais da vinda deste reino são muitos e todos positivos. Jesus começa o seu ministério por cuidar dos doentes, tanto em corpo e espírito, de quem viveu a exclusão social – por exemplo, os leprosos – e os pecadores desprezados por todos, mesmo por aqueles que eram mais pecadores do que eles, mas fingiam ser justos. E Jesus, a estes como os apelida? “Hipócritas”. O próprio Jesus mostra estes sinais, sinais do Reino de Deus: «Os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, aos pobres é proclamado o Evangelho» (Mt 11,5) .

“Venha o teu Reino!”, repete com insistência o cristão quando reza o “pai Nosso”. Jesus veio; mas o mundo ainda está marcado pelo pecado, povoado por tantas pessoas que sofrem, pessoas que não estão reconciliadas e não perdoam, guerra e tantas formas de exploração, pensemos no tráfico de crianças, por exemplo. Todos esses factos são a prova de que a vitória de Cristo ainda não foi totalmente implementada: muitos homens e mulheres ainda vivem com um coração fechado. É sobretudo nestas situações que a segunda invocação do “Pai Nosso” surge nos lábios do cristão: “Venha o teu reino!”. Que é como dizer: “Pai, precisamos de Ti! Jesus, nós precisamos de ti, nós precisamos que tu estejas em todo lugar e para sempre Tu sejas o Senhor nomeio de nós”. “Venha o teu reino, “que sejas tu no meio de nós”.

Às vezes perguntamo-nos: por que é que este Reino se realiza lentamente? Jesus ama falar da sua vitória com a linguagem das parábolas. Por exemplo, ele diz que o Reino de Deus é semelhante a um campo onde crescem juntamente o bom trigo e do joio: o pior erro seria querer agir agora extirpar do mundo aqueles que parecem ervas daninhas. Deus não é como nós, Deus tem paciência. Não é com violência que o Reino se estabelece no mundo: o seu estilo de propagação é a mansidão (cf. Mt 13, 24-30).

O Reino de Deus é certamente uma grande força, a maior que existe, mas não de acordo com os critérios do mundo; É por isso que nunca parece ter maioria absoluta. É como o fermento que é amassado na farinha: aparentemente desaparece, mas é precisamente isso que fermenta a massa (cf. Mt 13,33). Ou é como uma semente de mostarda, tão pequena, quase invisível, mas que carrega a força explosiva da natureza, e uma vez brotada torna-se a maior de todas as árvores do pomar (cf. Mt 13,31-32).

Este “destino” do Reino de Deus, pode intuir-se no enredo da vida de Jesus: Ele também foi para os seus contemporâneos um sinal frágil, um acontecimento quase desconhecido para os historiadores oficiais do tempo. Um «grão de trigo» como se definiu a Si mesmo, que morre na terra, mas só assim pode “dar muito fruto” (cf. Jo 12,24). O símbolo da semente é eloquente: um dia o agricultor coloca-o no solo (um gesto que se parece com o de um enterro), e em seguida, «vela, de dia e de noite, e a semente germina e cresce. Como ele mesmo não sabe» (Mc 4,27). Uma semente que brota é mais obra de Deus do que o homem que a semeou (cf. Mc 4,27). Deus precede-nos sempre, Deus surpreende sempre. Graças a ele depois da noite da Sexta-feira Santa, a aurora da ressurreição é capaz de iluminar de esperança o mundo inteiro.

“Venha o teu Reino!” Nós semeamos esta palavra no meio dos nossos pecados e fracassos. Demo-la às pessoas derrotadas da vida, que provaram mais o odio do que o amor, àqueles que viveram dias inúteis sem entender o porquê. Ofereçamo-la àqueles que lutaram pela justiça, a todos os mártires da história, que concluíram que lutaram para nada e que neste mundo, cada vez mais, domina o mal. Escutaremos agora a oração do “Pai Nosso” responder. Repetirá, pela enésima vez, aquelas palavras de esperança, as mesmas que o Espírito colocou como selo de todas as Sagradas Escrituras: “Sim, eu venho em breve!”: Esta é a resposta do Senhor. “Estou chego em breve”. Amém. E a Igreja do Senhor responde: “Vem, Senhor Jesus” (v. Ap 2,20). “Venha o Teu Reino” é como dizer “Vem, Senhor Jesus”. E Jesus diz: “Eu venho em breve”. E Jesus vem, a seu modo, mas todos os dias. Nós confiamos nisso. E quando rezamos o “Pai Nosso” digamos sempre: “Venha o teu reino”, para sentir no coração: “Sim, sim, eu venho e venho em breve”. Obrigado!

Tradução Educris a partir do original em italiano

06.03.2019

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