Audiência-geral:_ «”Até no sepulcro, Deus prepara a maior surpresa», afirma o Papa

Leão XIV aprofundou esta quarta-feira o significado do Sábado Santo, destacando o silêncio do túmulo de Cristo como um tempo fértil de esperança, confiança e renovação

Na terceira catequese do ciclo dedicado ao Jubileu de 2025 — com o tema “Jesus Cristo, Nossa Esperança” — o Papa Leão XIV convidou os fiéis a contemplar o mistério do Sábado Santo, dia em que Jesus repousa no sepulcro. Longe de ser um tempo vazio, este “grande silêncio” revela-se como o espaço onde germina a vida nova da ressurreição.

“A ausência de Jesus no sepulcro não é um vazio, é uma promessa preservada na escuridão”, afirmou o Papa, sublinhando que este silêncio contém um sentido profundo, comparável ao ventre materno que guarda a vida prestes a nascer.

A catequese, centrada na morte de Cristo e no seu sepultamento — descrito no Evangelho de João como tendo ocorrido num túmulo novo, num jardim — foi apresentada como um paralelismo entre o antigo Éden e o novo começo da humanidade. Para Leão XIV, este jardim “é o início da nova criação” e o túmulo fechado “não é um fim, mas um limiar”.

O Papa destacou ainda o valor do descanso, retomando o simbolismo do sétimo dia da criação. Jesus, após completar a sua obra de salvação, “descansa”, não por cansaço, mas por amor concluído: “Este descanso é o selo da obra realizada”.

Numa reflexão muito atual, o Pontífice alertou para a dificuldade que o ser humano moderno tem em parar, em descansar verdadeiramente, e propôs o Sábado Santo como um convite à confiança: “A vida nem sempre depende daquilo que fazemos, mas também do modo como sabemos desapegar-nos do que pudemos fazer.”

O silêncio do túmulo, disse, não é ausência de Deus, mas o lugar onde Ele prepara “a maior surpresa”: a ressurreição. Deus é, para o Papa, “o rosto manso que não ocupa todo o espaço”, mas que espera, que confia, mesmo quando tudo parece terminado. “Não devemos ter pressa em ressuscitar: primeiro é preciso permanecer, aceitar o silêncio”, disse, apelando a uma fé paciente e a uma esperança habitada pelo amor.

Na conclusão da catequese, Leão XIV evocou a figura de Maria como modelo de esperança silenciosa: “Ela encarna esta espera, esta confiança”. E deixou uma mensagem central para os fiéis: “A verdadeira alegria nasce da esperança silenciosa, da fé que confia que o amor vivido jamais se perde, mas renasce para a vida eterna.”

Educris|18.09.2025

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