
Organizamos da Igreja aveirense divulga manifesto contra a cultura da guerra
A Comissão Diocesana da Cultura da Diocese de Aveiro lançou ontem um veemente apelo à construção de uma “cultura da autêntica paz”, num mundo cada vez mais dominado por conflitos armados e lógicas de exclusão. A nota assume o tom de manifesto e sustenta que “a guerra é a falência da humanidade”.
No texto, divulgado ontem, a Comissão convida à reflexão sobre a realidade mundial, onde “a guerra é real em mais de cinquenta lugares do mundo”. As consequências são trágicas e visíveis.
“Assomam-nos ao espírito as lágrimas de inocentes, os seus choros e gritos perdidos, os olhares vazios”, lê-se.
Citando o Papa Francisco, que sustentou que «a guerra é a falência da humanidade», e o Cardeal Tolentino de Mendonça, a nota recorda o discurso do prelado que apontou “o fémur cicatrizado como símbolo de humanidade e de cuidado mútuo”.
“Um fémur cicatrizado é o símbolo pungente de não deixarmos para trás ninguém, e muito menos o mais frágil”, recordou na ocasião numa alusão ao primeiro sinal de humanidade constante de ossadas pré-históricas.
A Comissão sublinha que a paz não se limita à ausência de guerra, mas assenta na justiça e na fraternidade.
“Sem o respeito pela vida de todos, todos, todos, a cultura da humanidade será, sempre, injusta, porque alguns deixará de fora”, declara.
Apontando o dedo à instrumentalização da religião para fins bélicos, o texto defende que as tradições religiosas devem ser pontes para o reconhecimento da fraternidade universal pois “por via da fé num Pai comum, todos nos tornamos irmãos”.
Num mundo marcado pela exclusão, a Comissão apela a uma nova atitude perante a diferença.
“O outro pode ser o filho ainda não nascido, o imigrante fragilmente chegado, o refugiado de todos os pontos repudiado, o desempregado desolado, o preso abandonado, o sujeito estereotipado…”
Para os responsáveis “quem cultiva a violência por ela será devorado, talvez mais cedo do que tarde. Quem promove a paz recolhe os frutos dessa sementeira.”
Na conclusão do manifesto é reforçada a urgência de uma nova visão de humanidade.
“Construamos uma autêntica cultura de humanidade: humanos frágeis que unem as suas fragilidades para delas fazerem forças.”
A nota termina com uma pergunta que ecoa como desafio.
“Será um sonho desejar um mundo assim?”.
Imagem: Arquivo
Educris|23.07.2025


