
Autor da «Vulgata» recordado pelo Papa Francisco na «Scripturae Sacrae Affectus»
O Papa Francisco publicou hoje, dia da memória de São Jerónimo, uma carta apostólica dedicada à Biblia. Scripturae Sacrae Affectus [O Afeto à Sagrada Escritura] dá nome a documento que evoca a figura de São Jerónimo e o seu legado.
“Este amor [ndr: à sagrada escritura] ramifica-se, como um rio em muitos canais, na sua obra de incansável estudioso, tradutor, exegeta, profundo conhecedor e apaixonado divulgador da Sagrada Escritura; na sua obra de intérprete primoroso dos textos bíblicos; de defensor ardente e por vezes impetuoso da verdade cristã; de eremita asceta e intransigente, bem como de sábia guia espiritual, na sua generosidade e ternura”, afirma o Papa.
Na introdução da Carta Francisco recorda São Jerónimo e o seu “amor à Sagrada Escritura” onde “encontra o rosto de Deus e o dos irmãos, e apura a sua predileção pela vida”.
“Verdadeiramente Jerónimo é a «Biblioteca de Cristo», uma biblioteca perene que, passados dezasseis séculos, continua a ensinar-nos o que significa o amor de Cristo, um amor inseparável do encontro com a sua Palavra”, sustenta Francisco.
Num documento onde aborda a preocupação dos seus antecessores “pelo conhecimento da Biblia” por parte dos crentes, o Papa Francisco considera mesmo que “a ignorância da Biblia é a ignorância de Cristo”.
Para o Papa a tradução da Bíblia realizada por São Jerónimo permitiu “inculturar” a sagrada escritura e sinal da “ação missionária da Igreja”.
“’Quando uma comunidade acolhe o anúncio da salvação, o Espírito Santo fecunda a sua cultura com a força transformadora do Evangelho’, estabelecendo-se assim uma espécie de circularidade: se a tradução de Jerónimo é devedora à língua e à cultura dos clássicos latinos, cujos vestígios são bem visíveis, por sua vez ela, com a sua linguagem e o seu conteúdo simbólico e rico de imagens, tornou-se um elemento criador de cultura”, concluiu.
Educris|30.09.2020




