Compensações às vítimas de abuso na Igreja entram na fase final

Bispos portugueses afirmam que “nenhuma compensação apaga a dor vivida”, e sublinham o compromisso de reconhecer o sofrimento das vítimas por parte da Igreja Católica.

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa anunciou ontem que o processo de compensações financeiras às vítimas de abuso sexual de menores e adultos vulneráveis no seio da Igreja Católica em Portugal está a entrar na fase final.

No comunicado divulgado após a reunião realizada em Fátima, e enviado ao EDUCRIS, os bispos explicam que “esta etapa corresponde à atribuição das compensações às vítimas” que apresentaram pedido e “cujas situações foram consideradas elegíveis”.

Segundo o documento, o passo pretende “reconhecer o sofrimento vivido pelas vítimas” e constitui-se como uma forma de reparação possível.

“Sabemos que nenhuma compensação apaga a dor vivida, mas este passo expressa o compromisso que sempre assumimos de reconhecer o sofrimento causado e que pretende contribuir para a reparação possível de quem sofreu tão duras vivências, colocando as vítimas no centro da nossa prioridade”.

As decisões sobre os montantes a atribuir foram definidas numa Assembleia Plenária extraordinária realizada a 27 de fevereiro, que contou com a presença do Núncio Apostólico e de representantes da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP). Os valores foram estabelecidos com base nos pareceres da Comissão de Fixação da Compensação.

A Conferência Episcopal informa ainda que as vítimas que apresentaram pedido receberão “em breve, a notificação devidamente fundamentada com a decisão”, garantindo que todo o processo decorre com reserva e respeito pela privacidade das pessoas envolvidas.

“O processo continuará a decorrer com a devida reserva e no absoluto respeito pela privacidade das vítimas, garantindo confidencialidade e proteção de dados de todos os envolvidos”, refere o comunicado.

Apesar do encerramento do prazo para apresentação de pedidos de compensação financeira, os bispos asseguram que a Igreja continuará “disponível para acolher e acompanhar eventuais vítimas que venham a surgir no futuro”.

A Conferência Episcopal Portuguesa reafirma também o compromisso de reforçar a proteção de crianças e jovens no contexto eclesial.

“Asseguramos a nossa determinação em garantir que a proteção de crianças e jovens nos ambientes da Igreja Católica em Portugal é uma exigência permanente que não iremos descurar”, completa a nota.

Imagem: Agência Ecclesia

Educris|11.03.2026

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