
Francisco agradeceu quantos “agem em favor dos outros” e apontou a “fúria” como obra do diabo
“Nestes dias chegam notícias sobre tanta gente que começa a preocupar-se mais pelos outros, muita gente que pensa nas famílias que não tem o suficiente para viver os idosos sós, os doentes nos hospitais, e rezam, procuram fazer alguma coisa para ajudar…isto é um bom sinal”, afirmou o Papa na eucaristia a que precisou esta manhã na Casa de Santa Marta, no Vaticano.
“Agradeçamos ao Senhor por despertar no coração dos seus fiéis estes sentimentos”, disse.
A fúria: Obra do diabo
Na sua homilia, e tomando para meditação o trecho do livro da Sabedoria em os “impios parecem preparar o mal para o justo”, o Papa considerou que tal passagem “parece como que uma crónica profética do que vai acontecer a Jesus, o justo”.
“Este plano, para fazer minar o justo, é bastante elaborado. Não nasce de uma simples fúria, mas de um plano de atuação bastante pior que nasce da fúria. Quando isto acontece é o diabo que está pode detrás, pois a sua fúria tenta destruir e não pouca a meios”, considerou Francisco.
Fazendo uma memória da “presença da fúria” na Bíblia, o papa lembrou “a história de Job onde o diabo se esconde na fúria de querer a destruição de um homem justo”.
“O diabo não se enfureceu apenas contra Jesus, mas também está presente nas perseguições aos cristãos, no modo sofisticado como se tenta afastá-los de Deus e levá-los à apostasia. É de uma inteligência diabólica”, sustentou.
O papa lembrou os relatos “dos bispos que viveram regimes ditatoriais, ateus” e que as crianças, “pelo simples facto de dizerem que haviam comido um ovo após a festa da páscoa, eram perseguidas. O regime perseguia as suas famílias. Isto é fúria e esta vem do diabo”, apontou.
Diante da fúria: o silêncio do justo
Francisco explanou, então, a única atitude a ter perante um momento de fúria.
“Nestes momentos de fúria não é possível discutir com estas pessoas. Seguir o exemplo de Jesus e ficar calado como o mestre faz perante aqueles que o acusam. O silêncio que Jesus viveu na sua paixão é a força dos justos diante da fúria”, disse.
No final da sua meditação o Papa rezou pedindo “ao Senhor a graça de lutar contra o espírito mau. A coragem de ficar calados diante da fúria para se estar em silencio diante de Deus”.
Pedimos ao Senhor a graça de lutar contra o mau espírito, para discutir quando temos de discutir; mas no espírito da fúria, tendo a coragem de ficar calados e deixar os outros falarem. O mesmo diante dessa pequena fúria diária que é a conversa: deixe-os falar. Em silêncio, diante de Deus.
Educris|27.03.2020




