
Francisco celebrou eucaristia matinal em Santa Marta, o Vaticano, e lembrou idosos isolados e os que vivem com medo por causa do Covid-19.
“Gostaria que hoje rezássemos pelos idosos que sofrem por causa deste momento, de modo especial, com uma solidão interior muito grande e, por vezes, com muito medo. Rezemos ao Senhor para que esteja perto dos nossos avós, de todos os idosos, e lhes dê força. Eles deram-nos a sabedoria, a vida, a história. Que também nós estejamos perto deles, com a oração”, pediu o Papa antes da celebração da eucaristia que tem sido transmitida em streaming pelos serviços de comunicação do Vaticano.
O Covid-19 já infetou mais de de 170 mil pessoas em todo o mundo, provocando mais de 7mil mortes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Em Portugal, há registo de 331 pessoas infetadas, e uma morte a lamentar.
Perdoar para poder pedir perdão: A unidade dos Irmãos
Na sua homilia, e tomando o trecho do evangelho do dia que recorda o diálogo de Jesus com os discípulos acerca do perdão, o Papa considerou que o episódio “é uma catequese sobre a unidade dos irmãos”.
“Jesus termina este episódio com belas palavras. ‘Se dois ou três se colocarem de acordo sobre determinada questão e pedirem uma graça esta ser-vos-á concedida’. A unidade, a amizade, a paz entre os irmãos convoca a benevolência de Deus”, considerou.
Perante a interrogação de Pedro, que “questiona Jesus acerca do perdão: ‘quantas vezes devo perdoar os meus irmãos’” a resposta de Jesus aparece clara: “Jesus responde-lhe: Sempre, 70X7”.
Francisco lembrou que o perdão “não é fácil porque o nosso coração egoísta é parece ser sempre atacado pelo ódio, pela vingança, pelo rancor”.
O Papa recordou “tantas famílias destruídas pelo ódio familiar” e os laços quebrados “por gerações”.
“Irmãos que não se cumprimentam durante anos. Parece que é sempre mais forte o ódio que o amor. Isto é próprio do diabo. Ele faz crescer em nós estes sentimentos e destrói tudo. Tanta coisa por questões tão pequenas”, lamentou.
Deus “perde a memória” quando perdoa
Para o Papa “Deus não veio, em Jesus, para condenar, mas para perdoar. Este Deus que é capaz de fazer festa por um pecador que se aproxima e arrepende, e perdoa tudo. Deus esquece todo o mal que fizemos quando nos arrependemos”.
“Alguém dizia que esta era a fraqueza de Deus: Ele ‘perde’ a memória de tantos pecados sempre que nos arrependemos”, apontou.
Em tempo de quaresma o Papa pediu aos cristãos que se recordem sempre da importância da reconciliação com os outros pois “perdão é condição para entrar no céu” e somente “quem perdoa pode ser perdoado”.
“Para entrar no céu devemos perdoar. Expressões como ‘nunca te perdoarei’ não são humanas e muito menos cristãs. Se vais à missa e te recordas que o teu irmão tem algo contra ti vai ter com ele e reconcilia-te. Não venhas ter com Deus com o amor numa mão e o mal na outra”, pediu.
A sabedoria do Perdão
No final da sua família Francisco rezou e pediu “ao senhor nos ensine esta sabedoria do perdão, que não é fácil”, deixando uma dica antes da confissão.
“Façamos uma coisa. Quando nos confessarmos interroguemo-nos primeiro: Ele perdoou? Se não perdoou não vale a pena pedir perdão porque um não funciona sem o outro”.
“Que o senhor nos ajude a baixar a cabeça e a não levantar a testa, a não sermos soberbos. Ao menos a tomar a consciência de que se não perdoar não posso ser perdoado”, observou.
Educris|17.03.2020




