
Francisco prestou homenagem a todos os que combatem a pandemia Covid-19 e lembrou que Deus “caminha com o seu povo”.
“Hoje rezamos, de modo especial, pelos médicos e técnicos de saúde que morreram nestes dias. Eles deram a vida ao serviço dos doentes”, disse o Papa no início da celebração da eucaristia a que presidiu na Capela da Casa de Santa Marta, no Vaticano.
Na sua homilia, e tomando para meditação o trecho da primeira leitura onde Deus dá a leitura, por Moisés ao povo de Israel o Papa desafiou os crentes a prestarem atenção “ao modo como Deus dá a lei”.
“Chamou-me, hoje, a atenção, o modo como Deus dá a lei. Assim diz Moisés: «Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos?» [cfr Deut 4, 1.5-9] O senhor dá a Lei ao seu povo como alguém que está próximo”, sustentou na eucaristia transmitida pelos serviços de comunicação do Vaticano.
Um Deus de próximo; um humano que se afasta
Para Francisco “o modo como Deus dá a Lei” revela a “proximidade de um Pai, alguém que acompanha o povo”.
“Estas prescrições, a Lei, não são as prescrições de um qualquer governante distante ou um ditador. Deus é proximidade. Uma proximidade de Pai que acompanha o seu povo dando-lhe o dom da lei. Um Deus vizinho”, apontou.
Lembrando o modo como Deus “acompanha o seu povo no deserto”, com ‘a nuvem’ e a ‘coluna de fogo’ para “proteger o povo” Francisco apresentou, em contraponto, a resposta “humana a este amor, a esta proximidade manifestada por Deus de maneira ainda mais especial na encarnação de Jesus”.
“O nosso Deus é o Deus que está próximo, que caminha com o seu povo. A primeira resposta do Homem, nas primeiras páginas da bíblia é a de recusar esta proximidade. Afastamo-nos de Deus. O primeiro afastamento, presente no episódio de Adão que se esconde da proximidade de Deus, tem vergonha, porque pecou. O pecado leva a que nos escondamos. Leva a não desejamos a proximidade”, lamentou.
Como segundo momento deste “afastamento” do ser humano perante o criador acontece “no episódio de Caim e Abel. Deus questiona e Caim, com medo de ser fraco, recusa esta proximidade na expressão: ‘Serei eu guarda do meu irmão’?”.
“O Homem recusa a proximidade de Deus. Porque o estar próximo, o fazer-se próximo, transporta consiga a fraqueza. Quando Deus se faz fraco atualiza o momento em que se faz Homem para habitar connosco e leva essa fraqueza até à morte. Uma morte reservada para os maiores criminosos. Uma proximidade que provoca fraqueza. Deus, próximo, fala-nos de um Deus ‘da casa’. Jesus tem esta atitude de proximidade até à morte com os seus discípulos: Corrige, acompanha, ensina, acarinha e sustenta”, apontou.
Situação atual convoca-nos a sermos próximos: Esta é a hereditariedade recebida de Deus
Francisco recordou a situação de “isolamento social” provocada pela pandemia do Covid-19 e deixou o desafio da proximidade:
“Queiramos nós ser próximos uns dos outros. Não nos afastarmos, neste momento de crise. Esta proximidade deve manifestar-se ainda mais. Não podemos, sabemo-lo, fazê-lo fisicamente, mas procuremos uma proximidade com a oração, com a ajuda, tantos modos de proximidade… Porque devemos ser próximos uns dos outros? Porque Deus escolheu ser o nosso próximo. É o Deus da proximidade. Nós não somos pessoas isoladas. Somos próximos porque a hereditariedade que recebemos de Deus é a proximidade”.
No final o Papa rezou pedindo “a graça de sermos próximos, uns dos outros, não nos encondermos, não lavar as mãos como Caim, dos problemas dos outros. Não! Próximos!”, exclamou.
Educris|18.03.2020




