
Organização católica apela a que se encontrem mecanismos para um acolhimento digno dos migrantes
Por ocasião do Dia Internacional dos Migrantes, a Cáritas Europa apela aos “decisores políticos para que encontrem mecanismos que permitam a mobilidade humana de modo que os migrantes possam ter um acolhimento digno e não serem vistos como uma ameaça ou armas políticas”.
“As pessoas em movimento são seres humanos que cruzam fronteiras por diversos motivos – proteção, trabalhar, estudar, reunir-se com familiares, entre outros. Devem ser tratados com dignidade e não com desprezo. São necessários caminhos regulares e seguros para a Europa, em vez de violência e muros cada vez mais altos”, apelam em mensagem enviada hoje ao EDUCRIS.
No comunicado a organização católica dá conta de que “os migrantes e todos os que defendem os seus direitos enfrentam um momento particularmente desafiante na Europa, onde as políticas de medo e rejeição dominam e frequentemente matam”, e denunciam as situações dos “naufrágios fatais no Canal da Mancha e no Mar Mediterrâneo”, lamentando “pessoas usadas como peões na fronteira com a Bielorrússia e abandonadas em florestas geladas às portas da União Europeia”, como dois exemplos do drama que se vive atualmente.
Manou Ballyn, coordenadora de um projeto da Cáritas Bélgica, que oferece apoio a menores desacompanhados da Eritreia, Sudão e Etiópia em trânsito para o Reino Unido, dá conta da difícil jornada dos mais novos.
“Muitos passaram pela Líbia, por exemplo, onde foram submetidos a violência sexual, escravidão e maus-tratos terríveis e muito traumáticos. Está longe de terminar na Europa – muitos relatam violência policial e roubo dos seus pertences pessoais”.
A rede Cáritas, a nível internacional, “apela aos líderes europeus a que resistam às tentativas de dissolver a Convenção dos Refugiados, legalizar pushbacks e introduzir exceções à legislação da UE, esta última recentemente proposta pela Comissão Europeia em relação à Polónia, Lituânia e Letónia”.
“Ao celebrarmos o Dia Internacional dos Migrantes, é urgente superar o medo e abraçar a mobilidade humana, como um fenómeno natural que deve ser facilitado de forma organizada. As pessoas sempre cruzaram fronteiras, seja para encontrar paz, amor ou melhores oportunidades, e isso não vai parar, por mais altas que sejam as cercas. Pedimos uma mudança drástica nas políticas de migração: em vez de financiar paredes caras e militarizar as nossas fronteiras para impedir a movimentação de pessoas, vamos investir em caminhos seguros e regulares, centros de receção dignos e sociedades mais acolhedoras que facilitem a inclusão social para o bem comum” afirma Maria Nyman, Secretária-Geral da Caritas Europa.
Educris|18.12.2021

