Educação: «A Escola não se compreende sem a capacidade de arriscar», afirma o Papa

Francisco agradeceu tarefa educativa e sustentou que a política é “forma mais alta” da caridade

O Papa Francisco visitou hoje a sede da fundação «Scholas Occurrentes», em Roma, onde se encontrou com jovens estudantes de Sydney, na Austrália, Valência, em Espanha, Washington D.C., nos Estados Unidos na América e jovens argentinos da região de El Impenetrável, no Chaco, que iniciaram o novo programa de arte e prevenção de vícios.

Numa sessão, a primeira presencial desde o início da pandemia, Francisco ficou a conhecer alguns projetos da organização e inaugurou, virtualmente, novas sedes do projeto Scholas que chega agora aos cinco continentes.

“Obrigado a todos os que tornaram este encontro possível. Obrigado por arriscarem. As escolas não se compreendem sem esta atitude de ir mais além, de arriscar. Só assim se chega à gratuidade. Sem risco não se celebra. Obrigado pelo caminho e não temais. Temei antes ficar quietos e fossilizados. Obrigado por se animem mutuamente a ir mais além”, afirmou o Papa Francisco no final de encontro.

A Gratuidade numa bola de trapos

Ao longo de mais de duas horas, no diálogo que manteve com estudantes de todo o mundo, o papa lembrou a sua infância e a “companheira bola de trapos” que lhe traz recordações e considerou que o desporto permite entender a vida “a partir da gratuidade”.

“A identidade reencontramo-la e fazemos crescer no reencontro. Uma vez que se esquece a sua origem amputa-se a sua história. A história tem uma origem e isso tem um significado na vida. Ter uma bola de trapos é recordar uma época em que a gratuidade do jogo era muito melhor que a sofisticação ulterior. Era a gratuidade de se encontrar. Se esquecemos a gratuidade no desporto e na vida perdemos o jogo”, alertou Francisco.

A Política: Forma mais alta da Caridade

Também a política esteve em destaque nas perguntas dos mais novos e levou a alguns sorrisos na sala. Um dos estudantes questionou o papa pedindo-lhe respostas para o modo como “se pode mudar a política e operacionalizar a Fratelli Tutti”.

“Não tenho a varinha mágica, e vós também não”, começou por afirmar Francisco que logo apontou “a guerra como barómetro” da boa política.

“Quando me falam da política hoje digo sempre isto: reparem onde estão as guerras. Desconfiem dessa política. Uma política incapaz do diálogo que impede a guerra acabou. Perdeu a sua vocação de harmonia e de unidade mesmo com opiniões diversas”.

Para o Papa “os parlamentos são chave na política, e devem procurar a unidade, mas conscientes da diversidade. A política não é um ponto de chegada, é um começo, um início de processos”.

Francisco explicou então que “a política é a forma mais alta, maior da caridade” e que o próprio amor “é político, isto é social, para todos”

No final o papa criticou os países que enriquecem com a “produção de armas que servem para matar outros seres humanos outros” e lamentou os sacerdotes que abençoam armamento.

“A mim, digo-os sinceramente, doí-me o coração ao ver alguns sacerdotes a abençoarem armas”, concluiu.

 Sobre as Scholas Occurrentes

«Scholas Occurrentes» é uma fundação pontifícia que teve a sua origem na cidade de Buenos Aires em 2001, quando Jorge Mario Bergoglio, à época arcebispo da capital argentina, procurou integrar estudantes de escolas públicas e privadas, de todas as religiões, para educar os jovens no compromisso pelo bem comum.

Educris|20.05.2021

Imagem: Scholas Occurrentes

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