Educação: Externato Frei Luís de Sousa leva 450 alunos a Fátima em oração pela paz

Escola Católica, da Diocese de Setúbal, realizou a sua peregrinação anual a Fátima, a MARY FREI 2025, centrada este ano no tema da Paz

Foram cerca de 450 os alunos, do 1.º ciclo ao secundário, que se reuniram, na passada sexta-feira na Capelinha das Aparições para participar na Saudação a Maria, numa celebração guiada pelo capelão do colégio, padre José Cachaço, e pela equipa pastoral da escola.

Durante a cerimónia, os alunos orientaram a oração do Rosário pela paz, acompanhados pelos docentes e pessoal não docente, e participaram numa atividade simbólica com forte impacto humanitário: a leitura de uma carta enviada pelo padre Petro Mayba, sacerdote responsável pelas escolas católicas na Ucrânia, que relatava as dificuldades e o sofrimento das crianças ucranianas em contexto de guerra.

Os alunos responderam à carta escrevendo postais para os colegas na Ucrânia, que foram depositados numa caixa de correio preparada para o efeito e serão entregues pelo padre Petro Mayba às crianças ucranianas, reforçando laços de solidariedade e amizade entre os jovens dos dois países.

Na sua carta, o padre Petro descreve a realidade das crianças ucranianas que são “obrigadas a deixar as suas casas e a enfrentar o medo diário das sirenes de alerta” e diz que estas “sonham com um regresso à escola, à brincadeira e à vida em paz”.

“A infância delas mudou, mas têm um grande desejo comum: a PAZ! Sonham poder abraçar novamente os pais, brincar nos parques e viver como crianças felizes”, escreve o sacerdote, agradecendo o apoio e o empenho dos alunos portugueses.

A peregrinação do Externato Frei Luís de Sousa pretende assim reforçar “a dimensão educativa e espiritual da escola, aliando fé, solidariedade e cidadania”, e sublinha a importância de “educar na paz e na fraternidade, tal como incentivado pelo Papa e pela tradição mariana do Santuário de Fátima”, lê-se no comunicado enviado ao EDUCRIS.

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta do Padre Petro Mayba aos alunos portugueses

Caros amigos portugueses!

Gostaria de vos contar, em poucas palavras, como vivem as nossas crianças e os nossos jovens na Ucrânia. Infelizmente, há muito tempo vivemos em condições de guerra, desencadeada pela Rússia.

Esta guerra trouxe muita dor e dificuldades à infância deles. Muitas crianças ucranianas foram obrigadas a deixar as suas casas acolhedoras, os seus brinquedos e os seus amigos para procurar segurança noutras cidades ou até noutros países. Algumas delas perderam os seus entes queridos; outras ouvem todos os dias o som das sirenes, que avisam do perigo e as obrigam a esconder-se nos abrigos, em vez de brincarem na rua ou se sentarem nas carteiras da escola.

A infância delas mudou. Aprendem a reconhecer o perigo, a preparar rapidamente uma “mala de emergência” e a não ter medo dos sons fortes. Mas isto não é o que as crianças deveriam ter de fazer.

Apesar de tudo, têm um grande desejo comum: a PAZ!

Sonham que o nosso céu seja silencioso e pacífico, sem aviões que representem uma ameaça. Sonham poder voltar para casa, para as suas cidades e aldeias, para junto dos amigos e familiares espalhados pelo mundo. Voltar à escola e permanecer em silêncio durante as aulas, não precisar de ir para os abrigos antiaéreos, brincar nos parques infantis, sem medo de que lá possa ser perigoso. Poder abraçar novamente os seus pais, sem se preocuparem com a segurança deles.

Querem viver e desfrutar do sol, sonhar com o futuro, aprender, brincar e ser simplesmente crianças felizes.

Obrigada pelo vosso apoio, pelas vossas cartas, pelos vossos desenhos e, sobretudo, pelo vosso desejo de paz — para nós, isso é extremamente importante! Lembrem-se de quão frágil é a paz e de como é importante cuidar dela e protegê-la.

Acreditamos que o bem triunfará sobre o mal e que, em breve, o sol da paz voltará a brilhar sobre a nossa pátria. Esperamos que um dia possamos encontrar-vos pessoalmente, contar-vos as nossas vidas e ouvir as vossas. Assim poderemos crescer na amizade e nas boas relações e, juntos, trabalhar para melhorar a vida de todos.

Padre Petro Mayba, sdb

Educris|26.10.2025

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