Fátima: «Que crise sanitária não seja crise de esperança», cardeal Tolentino Mendonça

Responsável português perlo arquivo vaticano está em Portugal para presidir à Peregrinação aniversária do 13 de maio na Coda da Iria

O cardeal Tolentino Mendonça alertou hoje para “outras crises” decorrentes da pandemia de covid-19, como a “precarização do trabalho e a pobreza”, e alertou a necessidade da atenção de todos para que esta “não seja uma crise da esperança”.

“A crise sanitária ativou outras crises, no campo social, na precarização do trabalho, no agravamento das dificuldades económicas, na pobreza que cresce e não só entre os segmentos considerados mais frágeis, na debilitação do campo escolar, na diminuição de presenças nas comunidades cristãs e na incerteza que pesa sobre a vida de tantos”, afirmou o cardeal em conferência de imprensa esta tarde no Santuário de Fátima.

D. José Tolentino Mendonça, que está em Portugal para presidir à peregrinação internacional aniversária de maio, no Santuário de Fátima, percorreu alguns quilómetros a pé, desde a localidade de Porto de Mós, até ao santuário mariano, para recordar da pandemia que “ceifou vidas e alastrou lutos” e fazer memória dos acontecimentos na Cova da Iria, em 1917.

O prelado português sublinhou o “papel fundamental que os Santuários desempenham” e lançou um olhar sobre Fátima como lugar onde simultaneamente se “faz uma síntese entre a religiosidade tradicional e a modernidade, por ser, para muitos, o lugar de um primeiro contacto com a fé cristã e com a experiência da peregrinação”.

Durante a celebração desta noite, a que presidiu, D. José Tolentino Mendonça recordou o modo como “a atual pandemia tem disseminado sofrimento: condicionou sociabilidades, isolou-nos uns dos outros, acentuou solidões”.

Perante um Santuário lotado com 7.500 peregrinos, o cardeal português pediu à Senhora de Fátima “luz para as dores” de tantos e auxílio para “a grande família humana”.

“Queremos hoje pedir, Senhora de Fátima, que ilumines a dor de todos, sem fronteiras nem distinções, que ilumines a dor de próximos e distantes, de crentes e não-crentes, como se fosse uma só. Que escutes no silêncio desta noite a fadiga e o esforço, a solidão e as lágrimas, o cansaço e as necessidades de todos. Que veles pela grande família humana ferida. E nos mobilizes a todos para o desafio urgente de consolar, de cuidar e de reconstruir”.

“A turbulência da pandemia também nos desinstalou e nos ajudou a identificar o essencial com mais clareza”, reforçou

“Queremos confiar-te, Mãe de Jesus e nossa Mãe, o caminho histórico e interior que estamos a percorrer e pedir-te que esta dor sirva para alguma coisa, que todo este sofrimento nos torne melhores: mais espirituais, mais humanos e mais fraternos”, concluiu.

Educris|12.05.2021

Imagem: Arquivo Educris

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