
Francisco alertou para o “vírus da indiferença” que teima em deixar tantos para trás
A Igreja do Santo Espírito, in Sássia, próxima da Curia Geral da Companhia de Jesus (Jesuítas), na cidade de Roma, foi o lugar escolhido pelo Papa Francisco para celebrar hoje o Domingo da Misericórdia.
Na sua homilia Francisco, e comentando o evangelho deste II Domingo da Páscoa, o papa recordou “o medo dos discípulos, uma semana após a ressurreição, e a sua incapacidade de fazem acreditar naquele acontecimento o único ausente: Tomé”.
“Perante esta incredulidade o que faz Jesus. Regressa e colocou-se no meio deles. Repete a mesma saudação: «a paz esteja convosco». Recomeça”, explicou.
Para Francisco “a ressurreição de Jesus, para os discípulos, começa daqui. Desta misericordia. Só faltava ele, Tomé. E o Senhor esperou por ele porque a misericórdia não abandona quem fica para trás”, afirmou.
“Hoje, nesta igreja que se tornou santuário da misericórdia em Roma, no domingo que São João Paulo II dedicou à Misericórdia Divina há vinte anos, acolhamos confiadamente esta mensagem”, pediu.
Na mesma igreja onde há 20 anos, São João Paulo II instituiu o Domingo da Misericórdia ao canonizar a polonesa irmã Faustina Kowalska, o papa argentino recordou a religiosa que afirmou: «Eu sou o amor e a misericórdia em pessoa; não há miséria que possa superar a minha misericórdia» (Diário, 14/IX/1937)»
“Uma frase que surpreendeu a santa foi quando Cristo pediu que ela oferecesse aquilo que é verdadeiramente seu – também nosso -, a sua miséria”, apontou.
O Papa convidou os fiéis a “interrogarmo-nos e a mostrarmos ao Senhor as nossas quedas. Se existe pecado, remorsos, ferida ou rancor que guardamos para nós. O Senhor espera que Lhe levemos as nossas misérias, para nos fazer descobrir a sua misericórdia”, explicou.
Francisco disse que “olhar para Tomé” é perceber alguém que “quando abraça a misericórdia, ultrapassa os outros discípulos: não acredita só na ressurreição, mas também no amor sem limites de Deus. E faz a profissão de fé mais simples e mais bela: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).”
Atenção ao vírus da indiferença
Num mundo que vive em regime de pandemia o Papa lembrou que, tal como no relato do evangelho, existe hoje o perigo de “deixar outros para trás”.
“Hoje, enquanto lentamente deixamos a pandemia para trás, nasce o risco do aparecimento de um vírus pior: o da indiferença egoísta. Transmite-se a partir da ideia que a vida melhora se está melhor para mim, que tudo correrá bem se correr bem para mim”.
O Papa alertou para o perigo de “se imolarem pessoas no altar do progresso” ao permitir-se “a seleção” e ao tornar “descartável os pobres”.
“É tempo de remover as desigualdades, sanar a injustiça que mina pela raiz a saúde da humanidade inteira!”, exortou.
No final da sua meditação Francisco lembrou “que a prática da misericordia, a distribuição dos bens” não é “uma ideologia, mas é cristianismo”.
“Não pensemos só nos nossos interesses. Aproveitemos esta prova como uma oportunidade para preparar o amanhã de todos. Sem descartar ninguém: de todos. Porque, sem uma visão de conjunto, não haverá futuro para ninguém.”
“Acolhamos a misericórdia, que é a salvação do mundo. E usemos de misericórdia para com os mais frágeis: só assim reconstruiremos um mundo novo”, concluiu.
Educris|19.04.2020 Imagem: Vatican.va



