Igreja: «As migrações podem contribuir para concretizar o ideal da justiça social»

Organização católica escreve nota sobre a questão das migrações em Portugal onde sustenta que as mesmas são “um bem para todos”

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNPJ) emitiu ontem um comunicado onde reitera a convicção de que as “migrações legais, ordenadas e seguras” são “um bem” para as “sociedades de origem e destino dos migrantes”.

Lamentando as “vozes hostis para com os imigrantes, que se vão ouvindo para vez com mais força, em Portugal e noutros países”, este organismo católico sustenta que os imigrantes são “um bem para todos”.

“Vai-se evidenciando cada vez mais a imprescindibilidade de trabalhadores imigrantes em vários setores da atividade económica em Portugal. Além do mais, a crise demográfica na Europa torna necessário o recurso a esses trabalhadores (sendo certo que esse recurso não é a única forma de enfrentar essa crise). Também é sabido que os contributos financeiros dos imigrantes para o Estado português são maiores do que as prestações de que beneficiam (apesar de eles conhecerem até maior risco de pobreza e privação material severa do que os nacionais)”, lê-se na nota enviada ao EDUCRIS.

Rebatendo os argumentos segundos os quais os imigrantes trazem consigo um aumento de criminalidade violenta, a CNJP convida à leitura de vários estudos e relatórios onde se mostra que “o imigrante típico caracteriza-se por uma especial capacidade de trabalho, poupança e dedicação à família, o que contrasta em absoluto com uma maior tendência para a delinquência”.

“Tal não invalida a importância de, como vem salientado o Papa, acolher, proteger, promover e integrar os imigrantes. Essas são também as formas mais eficazes de prevenir a criminalidade”, desenvolve o organismo.

Fazendo eco de uma mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de 2018, os responsáveis católicos sublinham a importância do “diálogo de culturas” que se constituiu como “um enriquecimento recíproco”.

“Há que encarar as migrações na perspetiva da justiça social, à luz do princípio do destino universal dos bens. «Todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a doutrina social da Igreja» – diz o Papa Francisco na referida mensagem de 2018, citando o Papa Bento XVI. As migrações podem contribuir para concretizar este direito”, sublinha a nota.

Lembrando Portugal como “um país marcado pela emigração desde há séculos” a CNPJ considera que o “desafio é, então, o de tratar os imigrantes que chegam até nós como gostaríamos que fossem tratados os nossos irmãos que emigraram, e emigram, para outros países”.

“Deverá continuar a ser sempre para nós motivo de orgulho patriótico e de alegria que os imigrantes queiram viver em Portugal por ser um país acolhedor onde se sentem em casa. Deverá ser motivo de vergonha e de tristeza que aqui se sintam hostilizados e vítimas de discriminação e injustiça”, completa a missiva.

Foto de Alexandra Tran na Unsplash

Educris|18.09.2024

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