
Responsáveis analisaram, em Fátima, novo documento orientador para a catequese em Portugal
A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) está a ultimar o «Itinerário de iniciação à vida cristã», que “inspirado no Diretório para a Catequese” e na carta pastoral “Catequese: A alegria do Encontro com Jesus Cristo”, da Conferência Episcopal Portuguesa, vai pautar o ritmo da transmissão da fé em Portugal.
Durante dois dias os responsáveis diocesanos pela catequese analisaram e refletiram o documento preparatório que deverá ser apresentado “na Assembleia Plenária dos bispos portugueses em outubro próximo”.
“Estes dias foram muito produtivos porque nos permitiram aprofundar a reflexão sobre este novo olhar de pensar e fazer catequese numa abordagem que queremos que permita melhorar a articulação entre liturgia, catequese outros setores e serviços presentes na realidade eclesial”, explicou ao EDUCRIS o padre Tiago Neto, do Patriarcado de Lisboa.
O documento preparatório prevê a criação “de tempos, etapas e percursos” num Itinerário que recupera a “centralidade da comunidade cristã e da eucaristia”, na transmissão da fé.
“Este itinerário está profundamente centrado na comunidade cristã que acolhe e acompanha as famílias, com atenção aos pais e crianças e adolescentes”, aponta o padre Vasco Gonçalves, da diocese de Viana de Castelo.
Para o padre Luís Pedro, da arquidiocese de Braga, a formação vai ocupar um lugar central no itinerário e aponta a necessidade de “formar animadores e estabelecer uma caminhada sistemática de acompanhamento pessoal centrada na vida da comunidade e na eucaristia e liturgia”.
Para a ‘primeira etapa’, denominada de ‘Despertar da Fé’, os secretariados diocesanos apontam, como desafio, “a efetivação de um sentido pastoral de conjunto”.
“As famílias, acolhidas nas comunidades, tem de ser trabalhadas noutras instâncias da pastoral, como a pastoral familiar, os serviços de preparação para o batismo e outros. O mais importante é criar a experiência de acompanhar famílias em comunidade”, aponta a irmã Isabel Martins, do sector da Catequese de Lisboa.
Para o padre José Henrique este trabalho de construção de um itinerário catequético para o país” é uma tarefa “desafiadora do próprio ser igreja” porque permite e obriga a “um aprofundamento mutuo” e a um “respeito pelas diferentes sensibilidades e experiências das diferentes igrejas diocesanas em ambiente de sinodalidade”.
Para o responsável pela catequese de Leiria-Fátima é fundamental trazer à reflexão “os aportes da psicologia da infância e adolescência” e recuperar “a centralidade da Biblia no ato catequético”.
“Poderemos, ainda, propor, em alguma parte do itinerário, a leitura, durante um tempo, de um evangelista e se reze a palavra e se leve à vida”, sustenta.
O último tempo do itinerário, apelidado de “Discipulado Missionário” a proposta aposta na articulação “com a pastoral juvenil e tendo como ponto de partida a Jornada Mundial da Juventude, Lisboa 2023, que deve ser valorizada e deve ser integrada nas próximas gerações”, afirma o padre Tiago Neto.
“Este itinerário ainda é um embrião que, em rede, com outras instâncias da igreja, vai chegar a bom porto. Temos um prazo limite, que é 2023, e é aí que teremos que ter materiais prontos para a catequese com adolescentes. Neste momento temos o projeto Sayes e em seguida teremos os tempos da ‘Mistagogia’ e do ‘Discipulado Missionário’”, aponta.
Fernando Moita, diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) deu conta de que o órgão executivo da CEECDF está “empenhado na criação de recursos pedagógicos de qualidade” que “garantam uma linguagem atual e com forte componente tecnológica”.
Educris|05.07.2021



