IV Domingo da Páscoa: «Bom e Belo Pastor»

1. Domingo IV da Páscoa. Domingo do Bom, Belo, Perfeito e Verdadeiro Pastor. É este o significado largo do adjetivo grego kalós e do hebraico tôb, que qualifica o nome «Pastor». De notar que o Domingo IV da Páscoa, Domingo do Bom e Belo Pastor, é sempre também Dia Mundial de Oração pelas Vocações, e este ano sai ainda mais enriquecido com a celebração do «Dia da Mãe».

2. O Evangelho que marca o ritmo deste Dia Grande é João 10,1-10, que surge enquadrado na Festa judaica anual da Dedicação do Templo (ver João 10,22). Situemo-nos. O selêucida Antíoco IV Epifânio tinha profanado o Templo de Jerusalém, introduzindo lá cultos pagãos. Este acontecimento remonta ao ano 167 a. C. Contra esta helenização e paganização do judaísmo lutaram os Macabeus, e, no ano 164 a. C., Judas Macabeu procedeu à Purificação do Templo e à sua Dedicação ao Deus Vivo. É este importante acontecimento que deve ser celebrado todos os anos, durante oito dias, com a Festa da Dedicação, a partir do dia 25 do mês de Kisleu, que, no ano em curso de 2017, corresponde ao nosso dia 13 de Dezembro.

3. A Festa da Dedicação, em hebraico hanûkkah, celebra-se durante oito dias, e tem como símbolo o candelabro de oito braços. Relata o Talmude que, quando os judeus fiéis entraram no Templo profanado pelos pagãos helenistas, encontraram uma única âmbula de azeite puro (kasher) de oliveira para reacender o candelabro de sete braços, em hebraico menôrah, que é um dos símbolos de Israel, e que deve arder diante do Deus Vivo. Todavia, uma âmbula de azeite duraria apenas um dia, e eram precisos oito dias para preparar novo azeite puro. Pois bem, o azeite daquela única âmbula durou milagrosamente oito dias! Daí que, na Festa da Dedicação, se acenda um candelabro de oito braços, chamado hanûkkiyyah. Mas acende-se apenas uma luz por dia, depois do pôr-do-sol, aumentando progressivamente até estarem acesas as oito luzes. Além disso, e ao contrário das luzes da menôrah e do Sábado, que alumiam o interior do Santuário e da casa de família respectivamente, as Luzes do candelabro da Dedicação, refere o ritual, devem ser vistas cá fora: devem alumiar o ambiente social, político, comercial e cultural. E também ao contrário das luzes da menôrah e do Sábado, não se acendem todas de uma vez, mas progressivamente uma por dia, porque, quando as condições são adversas (paganismo helenista e escuro), não basta acender uma luz e mantê-la; é preciso aumentar constantemente a luz. Mais luz. Mais luz. Mais luz.

4. Como este simbolismo é importante para os dias de hoje! Está escuro cá dentro e lá fora, o mundo parece desconstruir-se, o paganismo é galopante! Mais do que nunca, é preciso, portanto, não apenas manter a luz, mas aumentá-la progressivamente. E é ainda necessário que esta Luz saia para fora: uma «igreja em saída», como sonha e pede o Papa Francisco! E está em maravilhosa sintonia com a Luz Grande que deve alumiar este Domingo do Bom e Belo Pastor, que é Jesus, verdadeira Luz do mundo, Dom do Amor de Deus ao nosso coração. Atear esta Luz de Jesus no nosso coração é também o segredo maior deste 54.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a que o Papa Francisco apôs o lema: «Impelidos pelo Espírito para a missão».

5. Da mesa da Escritura deste Domingo IV da Páscoa transbordam tonalidades e sabores intensos, harmoniosos e deliciosos. Música encantatória. Água pura. Óleo perfumado. Verde prado em festa. Proximidade. Ternura. Confiança. Beleza em flor e fruto. Vida a transbordar. Tudo da ordem do sublime.

6. A figura do Pastor belo e bom como que salta da página fechada (João 10,1-10), para surgir em pessoa à nossa frente. Ao dizer «Eu sou», Jesus está também, ao mesmo tempo, a dizer «vós sois». Está, portanto, a estabelecer uma relação pessoal de proximidade, confiança e intimidade connosco, bem expressa, de resto, pelos verbos «chamar pelo nome», «conhecer», «ouvir a voz», «conduzir», «caminhar à frente de», «seguir», «dar a vida».

7. Mas esta vida livre, plena e bela, assente na verdade e na confiança, sem mentiras nem imposições nem malabarismos, deixa ver em expresso contraponto o seu oposto. É que também saltam da página os ladrões, os salteadores e os estranhos, que, em vez de conjugarem os verbos acima indicados para traduzir a relação do pastor belo e bom com o seu rebanho, conjugam antes os verbos «roubar», «matar», «destruir». Como esta página antiga e sempre nova de João 10,1-10 lê e desvenda os tempos de hoje!

8. Mas o texto grandioso de João 10,1-10 passa também mensagens intemporais que, em cada tempo e lugar, devem interpelar a comunidade cristã. Assim, quando Jesus diz: «Eu sou a porta», não está a usar uma linguagem da ordem da arquitetura e da carpintaria. É de uma porta pessoal que se trata. E esta porta pessoal tem um nome e um rosto: Jesus de Nazaré, Jesus de Deus. E esta porta serve para «entrar e sair». «Entrar e sair» é um merisma [= figura literária que diz o todo acostando duas extremidades] que traduz a nossa vida toda. É a nossa vida toda sempre em referência a Jesus Cristo. Entende-se, não com a atual criação industrial de gado, em que os animais estão quase sempre em clausura e o pasto lhes é fornecido em manjedouras apropriadas, visando sempre uma maior produtividade, mas com os «apriscos» [= mais abrir do que fechar, como indica o étimo aprire] antigos, em que os animais se recolhiam apenas para se protegerem do frio da noite e dos assaltos das feras ou dos ladrões, e procuravam fora o seu alimento, sempre conduzidos e sob a atenção vigilante do pastor.

9. Note-se ainda que os Evangelhos falam sempre de rebanho, e não de ovelhas separadas. Quando falam de uma ovelha sozinha, é para descrever a situação negativa de uma ovelha desgarrada ou perdida, que se perdeu do rebanho ou da comunidade, e deixou de seguir o pastor e de ouvir a sua voz. Note-se ainda que as ovelhas «entram pela porta», mas não é para ficarem descansadas e recolhidas, fechadas sobre si mesmas. É para sair, pois é fora que encontrarão pastagem. Lição para a comunidade dos discípulos de Jesus de hoje e de sempre: o trabalho belo que nos alimenta e nos mantém saudáveis espera-nos lá fora! Que Deus nos dê então sempre um grande apetite! A messe ondulante está à espera de ceifeiros que saibam cantar (Salmo 126,5-6), porque também sabem que é Deus o Senhor da messe.

10. A cristalina melodia do Salmo 23, que hoje cantamos, entranha-se suavemente em nós, fazendo-nos experimentar os mil sabores da paz, do pão e da alegria que em cada dia recebemos do Pastor belo e bom que amorosamente nos guia. Ele é o companheiro para quem as horas do seu rebanho são também as suas, corre os mesmos riscos, experimenta a mesma fome e a mesma sede, o sol que cai sobre o rebanho cai também sobre ele.

11. Como é importante recitar e saborear esta alegria pessoal que nos traz o Pastor belo e bom que nos chama e nos inebria. Confessou o filósofo francês Henri Bergson: «As centenas de livros que li nunca me trouxeram tanta luz e conforto como os versos do Salmo 23». Veja-se outra vez o contraponto da paródia que sobre este Salmo construiu um poeta americano drogado: «A heroína é o meu pastor;/ terei sempre necessidade dela./ Ela faz-me dormir debaixo das pontes,/ e conduz-me a uma doce demência./ Ela destrói a minha vida,/ e guia-me pelo caminho do inferno,/ por amor do seu nome./ Mesmo se caminhasse/ pelo vale da sombra da morte,/ não terei nenhum medo,/ porque a droga está comigo./ A minha seringa e a minha agulha me dão conforto…».

12. E aí está outra vez Pedro a exortar-nos na manhã de Pentecostes: «Salvai-vos desta geração perversa» (Atos 2,40). «Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora regressastes para o pastor e supervisor (epískopos) das vossas almas» (1 Pedro 2,25). «Segui, pois, os seus passos» (1 Pedro 2,21).

13. Concede-nos, Senhor, Belo e Bom Pastor, que nunca nos tresmalhemos do teu imenso amor, e que saibamos sempre levar o tom e o sabor da tua voz que chama e ama a cada irmão perdido em casa ou numa estrada de lama.

 

Senhor Jesus Cristo,

Único Senhor da minha vida,

Bom Pastor dos meus passos inseguros

E do silêncio inquieto do meu coração,

Cheio de sonhos, anseios, dúvidas, inquietações.

 

Senhor Jesus,

Faz ressoar em mim a tua voz de paz e de ternura.

Eu sei que pronuncias o meu nome com doçura,

E me envias ao encontro daquele meu irmão que Te procura.

 

Fico contigo sentado junto ao poço.

Alumia o meu pobre coração.

Vejo que, de toda a parte, chega gente de cântaro na mão.

Dispõe de mim, Senhor,

Nesta hora de Nova Evangelização.

 

Que eu saiba, Senhor,

Interpretar bem a tua melodia.

Que eu saiba, Senhor,

Dizer sempre SIM como Maria.

 

António Couto

Recursos:

16. Catequese familiar – guia para pais:Download Documento

15. Catequese paroquial de pais – 2ª sessão:Download Documento

15. Catequese paroquial de pais – 1ª sessão:Download Documento

14. Catequese Mariana:Download Documento

13. Maria, caminho para Jesus:Download Documento

12. Maria, convite à conversão – oração em família:Download Documento

11. Maria convida à conversão – recurso catequistas:Download Documento

10. Maria caminho para Jesus – recurso para catequistas:Download Documento

09. Imagem do Cristo Redentor:Download Documento

08. Estátua do Francisco e da Jacinta:Download Documento

07. Imagens para recorte:Download Documento

06. Capelinha das Aparições:Download Documento

05. Biografia dos Pastorinhos:Download Documento

04. Mapa dos distritos portugueses:Download Documento

03. Mapa do Santuário de Fátima:Download Documento

02. Grande Azinheira:Download Documento

01. Mapa de Portugal:Download Documento

Apresentação das Catequeses:Download Documento

IV EDL: Tarde e avaliação do encontro:

IV EDL: manhã e intervenções:

Porque é que a Igreja pratica a solidariedade?:

IV Encontro Diocesano da EMRC – Lamego:

«A interioridade como paradigma educativo»:

2. Projeto RUAH – educar na interioridade:

1. Projeto Ser +:Download Documento

«O que significa liberdade?»:

Regulamento do Concurso:Download Documento

Cartaz do Concurso escolar:Download Documento

VII ENES: Celebração e envio:

VII ENES: “A identidade Cristã” constrói “um mundo novo”:

VII ENES: Melhores Imagens:

VII ENES: Entrevista ao coordenador nacional da EMRC:

VII ENES: Acolhimento do VII Encontro de EMRC do Secundário:

VII Encontro Nacional de alunos do Ensino Secundário :

«Como se chega a uma mudança da sociedade?»:

«Pode treinar-se o amar ao próximo?»:

“Piedade popular e oração em família”:

O que é o novo mandamento do amor no Novo Testamento? :

“Novas tecnologias na Evangelização”:

Não há ventos favoráveis para barco sem destino: A educação dos filhos e a impossível neutralidade :

ENC17: Mesa redonda: «Comunidade fraterna e missionária»:

«Se Deus criou o mundo por amor, então porque é que está cheio de injustiça, de opressão e de sofrimento?»:

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«A eutanásia é moralmente permitida?»:

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Projeto “Há ir e voltar”:

«O que significa o bem comum?»:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”:

“A oração”:

“Jesus entre os doutores”:

«Mobilidade Humana: Sonhos de profeta, pergunta de Deus»:

«O respeito pela dignidade do corpo e as questões do aborto»:

«O que significa Deus para o nosso agir?»:

«Mercadoria humana: exploração oculta, invisibilidade das vítimas»:

«A Família no contexto atual: interpelações à visão cristã da vida»:

“Porque é que a Igreja tem uma Doutrina Social?:

“Nobreza na Educação: caminhos virtuosos no (re)conhecimento da dignidade humana”:

Formação EMRC2017: «Da hostilidade à hospitalidade»:Áudio: «A Família no contexto atual: interpelações à visão cristã da vida»

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