Docente de EMRC de Aveiro, e presidente da Comissão Diocesana da Cultura, sublinha que a metáfora escolhida pela Santa Sé aponta à unidade, permanência e orientação num tempo marcado pelo relativismo.

A presença portuguesa no Jubileu do Mundo Educativo, em Roma, trouxe aos educadores católicos um conjunto de sentidos metafóricos sobre educação a partir do tema «Constelações», que foi central na Iniciativa.
Luís Silva, professor de Educação Moral e Religiosa Católica, na Diocese de Aveiro, e autor de manuais da disciplina sustenta que “a ideia de constelação é uma metáfora fortíssima”, e recorda que, tal como as estrelas, também a comunidade educativa é formada por realidades diversas unidas por uma força invisível.
“É uma reunião de estrelas com forças que nós não vemos. A dimensão espiritual está aqui metaforizada nessas forças discretas, mas altamente eficazes”, esclarece.
No final do encontro do Papa Leão XIV com os educadores, o docente deixou aos leitores uma “chave de leitura” destes dias em Roma e sustentou que a ideia de que a imagem celestial transporta ainda a ideia de diversidade, continuidade e fidelidade ao essencial.
“A constelação que nós vemos hoje é a mesma que Jesus Cristo terá visto há dois mil anos, que Aristóteles ou Hammurabi viram. Falar de constelações associadas à educação é falar de algo que permanece”, afirma, sustentando que, numa visão cristã, “permanece o humano e permanece o divino”.
Outra dimensão destacada pelo professor é o papel das constelações no discernimento, sobretudo em tempos de incerteza.
“Vemos as constelações à noite porque elas nos orientam. E é à noite que o risco do relativismo é maior”, recorda, evocando os alertas de papas como Bento XVI, ou Francisco e do próprio Papa Leão XIV.
“Apelar à constelação é apelar àquilo que deve apontar-nos o Norte no momento em que o risco da fragmentação é tão grande”, alertou.
Luís Silva destaca ainda a força do lema do Jubileu — Peregrinantes in Spem e lamenta que as diferentes traduções não consigam ter “a força da terminologia latina.
“Em latim, tem uma potência extraordinária. O in com acusativo diz presença e movimento: estamos na esperança e movemo-nos para a esperança.”
E resume a vocação educativa cristã numa pergunta — e na resposta: “Para onde vais educando? Para o amor de Deus”, completa.
De acordo com o Dicastério para a Cultura e Educação, órgão da Santa Sé que dinamizou o Jubileu do Mundo Educativo, participaram nesta iniciativa cerca de 15 mil educadores de 14 países do mundo.


