Jubileu 2025: «Fé sem escuta é palavra vazia», afirma D. António Augusto Azevedo

Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) apelou hoje à “à escuta e à esperança” como missão dos catequistas lusófonos

Mais de seis centenas de catequistas de países lusófonos reuniram-se esta manhã na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, para participar numa celebração presidida por D. António Augusto Azevedo, bispo de Vila Real e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.

Depois de participarem na audiência jubilar, com o Papa Leão XIV, os catequistas escutaram D. António Augusto Azevedo deixar um forte apelo à esperança, à escuta e ao compromisso renovado dos catequistas na missão de anunciar o Evangelho às novas gerações.

Na sua homilia o bispo de Vila Real sublinhou a urgência de “escutar a Palavra de Deus” e a levar às “novas gerações para tornar eficaz o anúncio da fé num mundo cada vez mais indiferente”.

“A Fé deve gerar um novo ânimo e compromisso. Devemos estar juntos com os mais novos, para que saibam que Deus os ama a todos”, sublinhou.

Escuta, silêncio e meditação: condições para evangelizar

Ao comentar o Evangelho do dia, o prelado destacou a insistência de Jesus na palavra “escutai”, lembrando que a escuta é uma atitude fundamental na catequese.

 “Dificilmente falará bem alguém que antes não foi capaz do silêncio humilde, da escuta, da meditação, de rezar a sua Palavra”, alertou.

Neste contexto, D. António sustentou a necessidade de recentrar a catequese no núcleo essencial da fé cristã: o mistério pascal — a morte e ressurreição de Jesus —, como verdadeira fonte de vida nova.

“O anúncio fundamental da catequese é este mistério. É ele que há de tocar os corações e transformar vidas”, frisou.

Novas gerações precisam de compreender a fé

O prelado alertou ainda para as dificuldades que os catequistas enfrentam hoje, face a uma geração “inundada de propostas e solicitações” e, ao mesmo tempo, “marcada pelo desconhecimento da fé e da Bíblia”.

Se no passado parecia partir-se de um conhecimento prévio transmitido pela família e pela sociedade, “hoje isso já não ocorre”. Por isso, sublinhou a missão urgente de ajudar os mais novos a “compreender, descobrir e valorizar o tesouro da Palavra de Deus”.

Catequese como espaço de acolhimento e fraternidade

A proximidade aos jovens foi apresentada como elemento essencial da missão catequética.

“A nossa catequese tem de ser espaço acolhedor, onde se perceba que a fé tem uma dimensão humana, que nos aproxima e nos faz superar medos, receios e mal-entendidos”, defendeu D. António, destacando a importância de escutar também os catequizandos como parte do processo de formação da fé.

Uma missão para o tempo presente

Recordando a leitura do livro do profeta Zacarias o presidente da CEECDF lembrou que habitamos uma atualidade marcada por “sinais de ódio”, que exige que os catequistas e a catequese sejam “exercício de abertura à fraternidade” e não um campo de imposição.

 “A fé gera fraternidade, aproxima, e faz com que as pessoas não se afastem, mas se sintam irmãs”, declarou.

Na reta final da sua homilia, dirigiu-se aos catequistas como “testemunhas e formadores da fé dos outros”, chamados a semear com coragem e esperança. “Como nos pede o Papa, que o que semeamos possa dar fruto a seu tempo”, completou.

Da parte de tarde, e em várias igrejas de Roma os catequistas vão escutar catequeses que vão ser proferidas por diversos bispos.

Educris|27.09.2025

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