Jubileu 2025: «Interioridade, unidade, amor e alegria, os pontos cardeais da missão educativa»

O Papa dirigiu-se hoje, no Vaticano, a educadores de todo o mundo, sublinhando quatro princípios fundamentais para a missão educativa da Igreja — interioridade, unidade, amor e alegria — e apelando a uma renovada responsabilidade pedagógica em tempos de mudança cultural e tecnológica. Leão XIV prometeu atualizar o Pacto Educativo Global

Leão XIV afirmou hoje que “a Igreja é mãe e mestra” e que os educadores participam no seu rosto materno, servindo “milhões de jovens, com formação adequada, dando centralidade ao bem da pessoa, no saber humanístico e científico”.

Na sua intervenção o Santo Padre destacou “a diversidade de carismas e experiências pedagógicas que enriquecem o serviço educativo católico” e descreveu-as como uma “luminosa constelação” que reflete o “compromisso polifónico da Igreja” na formação integral.

Na sua alocução, aos cerca de 15 mil educadores de 14 países do Mundo, Leão XIV convidou a uma reflexão centrada em quatro termos – interioridade, unidade, amor e alegria – que apelidou como “pontos cardeais” da vida e da missão dos educadores.

Uma busca incessante pela verdade que em cada um habita

Citando Santo Agostinho, o Papa lembrou que «O som das nossas palavras atinge os ouvidos, mas o verdadeiro mestre está dentro» e sustentou que «a verdade não circula nos sons, muros e corredores, mas no encontro profundo das pessoas, sem o qual qualquer proposta educativa está destinada ao fracasso».

“Estas palavras lembram-nos que é um erro pensar que para ensinar bastam belas palavras, laboratórios, aulas ou bibliotecas. São meios, uteis, mas o mestre está dentro”, reforçou.

Numa era dominada por tecnologia e filtros digitais, o papa advertiu que estudantes e educadores “necessitam de ajuda para entrar em contacto com a sua interioridade”, sublinhando que a educação cristã é caminho de procura partilhada: “Continuar a procurar mesmo depois de ter encontrado… só este esforço humilde pode aproximar-nos da verdade.”

Lamentando que hoje os educadores estejam “frequentemente cansados com tarefas burocráticas” Leão XIV desafiou a recuperar o ideal de São John Newman que pedia uma educação “de coração para coração”.

“São John Newman afirmava que “o coração fala ao coração” e Santo Agostinho dizia “volta para ti mesmo, pois a verdade habita no coração do homem”.

“Estas so expressões que convocam a olhar para a formação como uma estrada na qual professores e discípulos caminhos juntos”, reforçou.

Como segunda palavra, a unidade, Leão XIV recuperou o seu lema e defendeu uma educação que forme comunhão e responsabilidade partilhada.

“O ‘com’ é um desafio a descentrar-se e como estímulo para o crescimento. Por isso decidi atualizar o pacto educativo que foi uma das intuições proféticas do meu venerado predecessor, o querido Papa Francisco

Pedindo a capacidade de acompanhar e deixar-se acompanhar, o santo padre voltou a citar Santo Agostinho para garantir que com este processo “a tua alma não é mais tua, mas dos teus irmãos”, pois a educação implica reciprocidade e serviço: A transmissão dos saberes é um grande ato de amor”, garantiu.

Como terceira palavra escolhida, o amor, o pontífice garantiu que esta é “o eixo estruturante” pois “ter conhecimento não é suficiente para ensinar. É preciso amor. Só assim o conhecimento, pela caridade que transmite, será proveitoso para quem o receber. O ensinamento não pode ser separado do amor”, desenvolveu.

Aos educadores o Papa apelou à superação de preconceitos, à construção de pontes e ao cuidado pelos mais frágeis, e advertiu para as consequências nefastas da desvalorização social dos educadores.

“Uma dificuldade da sociedade de hoje é a de não valorizar o grande contributo que professores e educadores oferecem à comunidade. Estejamos atentos: desvalorizar o papal social e cultural dos formadores é hipotecar o próprio futuro. Uma crise que traz consigo uma crise de esperança”, garantiu.

No final da sua reflexão, e como último ponto cardeal, Leão XIV apresentou a alegria e afirmou que “os verdadeiros mestres educam com um sorriso e espalham-no no fundo da alma dos seus discípulos”.

Alertando para os sinais crescentes de fragilidade emocional entre os jovens, o papa americano advertiu para o risco de isolamento provocado pela inteligência artificial.

A IA, com o seu conhecimento técnico, frio e padronizado, pode isolar interiormente estudantes já isolados dando-lhes a ilusão de não precisarem dos outros. Ou pior a sensação de não serem dignos de estar com eles”, lamentou.

Aos educadores o Papa insistiu na persecução de um “compromisso humano”, capaz de acender esperança: “A alegria é toda humana, como acendalhas inflamando os corações, até formar um só.”

“Tudo o que fizerdes a um dos mais pequenos, a mim me fizeste”, concluiu citando uma passagem do Evangelho.

Educris|31.10.2025

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