
Catequista do México deixou forte apelo ao “acolhimento da pessoa com deficiência”, e lembrou que “a inclusão não é uma estratégia pastoral, mas uma exigência do Evangelho”
Na presença do pro-perfeito do Dicastério para a Evangelização. D. Rino Fisichella, e de milhares de catequistas vindos de todo o mundo, Estela Evangelista Torres subiu ao ambão da Basílica de São Pedro para partilhar um testemunho que uniu ternura, fé e desafio. Falando em nome das pessoas com deficiência e de quem as acompanha na catequese, a mexicana afirmou que a deficiência “não é um obstáculo à santidade, mas um caminho único e corajoso rumo a ela”.
“Vejo a deficiência como uma oportunidade para todos: para chegar à santidade, para levar a cada vida humana Jesus, e, em nome de Deus, ternura e misericórdia”, declarou.
Inspirando-se no exemplo de Cristo, Estela recordou que “Jesus não evitou ninguém” mas “caminhou com o paralítico, o cego, o enjeitado, e não se importou com o que diziam os mais poderosos”.
A catequista sublinhou que este exemplo deve guiar toda a pastoral da Igreja.
“A inclusão não é uma estratégia pastoral, mas uma exigência do Evangelho. O Reino de Deus pertence a quem foi marginalizado, esquecido, incompreendido”, afirmou, acrescentando que “as pessoas com deficiência não são objetos de pastoral, mas sujeitos ativos, com dons, fé e vocação”.
No seu testemunho, a catequista da Arquidiocese de Guadalajara, no México, partilhou histórias concretas de fé vivida no limite.
“Tenho uma afilhada com vigorexia — uma perturbação de dismorfia muscular — que mostra um profundo amor a Jesus, sem limites”, explicitou.
Nos anos que tem acompanhado pessoas com deficiência a catequista lembrou a experiência de um jovem com paralisia cerebral que “levou os seus pais ao encontro com Cristo vivo e morreu em oração, ao lado dos irmãos”.
“Todos eles e outros com deficiência que acompanhei na catequese ensinam-nos o que significa evangelizar e ser evangelizados. Somos chamados a aprender com eles, a deixar-nos tocar pelo seu testemunho de vida”, afirmou.
A catequista mexicana dirigiu ainda uma interpelação direta à Igreja e aos seus agentes pastorais.
“Nas nossas liturgias, devemos perguntar-nos: estamos realmente a acolher todos? Que cada sacerdote, religiosa e catequista se deixe tocar por este mandato missionário, para que toda a pessoa seja acolhida na nossa Igreja.”
No final do seu testemunho, Estela Evangelista Torres deixou um convite à conversão e à ternura dos agentes pastorais.
“Que o amor de Cristo entre na nossa vida e permaneça nela através da pessoa com deficiência. Que o Espírito Santo nos ensine novas formas de celebrar, de acompanhar e de amar”, completou.
Imagem: Lourenço, jovem peregrino na JMJ Lisboa 2023. Por Luísa Roque Pinho
Educris|17.10.2025

