
Responsável do Centro de Cultura e Formação Cristã (CCFC) sustenta a necessidade de uma reflexão alargada na Igreja sobre a sua própria identidade
«Um só Corpo. Desafios da ética cristã» é o tema global de cinco encontros que o CCFC iniciou no passado dia 17 de janeiro.
E declarações ao Educris, e na véspera de nova formação, Pedro Valinho Gomes apresentou ao Educris os objetivos da iniciativa:
“Estas formações enquadram-se no ciclo diocesano da introdução à teologia. No final de cada semestre queremos desafiar as pessoas para temas da doutrina cristã”.
Num tempo em que “a Igreja perde relevância social” e onde “as comunidades são menores”, os encontros pretendem “olhar este momento histórico não como um cataclismo, mas como uma oportunidade e uma tarefa da Igreja olhar para si mesma neste momento histórico”.
“Daqui nasceu uma ideia de assumirmos alguma reflexão sobre o papel da igreja na sociedade e qual a sua ação. No fundo o que tem a igreja a fazer nestas circunstâncias”, assume.
A opção do CCFC foi diferente do tradicional “olhar a ética cristã a partir de um olhar normativo”:
“Teríamos muito a ganhar ao olhar para os documentos da Igreja que abordam o ser cristão no mundo e a ética cristã nas várias áreas da ação humana. No entanto quisemos assumir um caminho a partir da fonte questionando-nos «nós, Igreja, somos o quê?”.
Para Pedro Valinho Gomes a questão é fundamental pois “aqueles que não são igreja só vão compreender que fazemos na medida em que saibamos quem somos e disso dermos testemunho não apenas por palavras mas na vivência do dia-a-dia”, argumenta.
A «Escola e a pobreza» na ética Cristã
No dia de amanhã, 24 de janeiro, o ciclo acolhe duas conferências. Pelas 19h15, no seminário de Leiria Maria, Conceição Azevedo, docente de ética na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, reflete a pergunta «Como educam os cristãos?».
“Pensámos o tema da educação sabendo que em termos de academia não se colocaria na ética a temática. Mas modo como se torna possível transmitir os valores da igreja num mundo em que esses valores são contracultura é algo essencial”.
Pelas 21h00 Ana Mansoa, diretora do Centro Padre Alves Correia, procura responder à questão «Porquê uma igreja pobre para os pobres?».
Esta segunda conferência do dia “é o voltar ao início da igreja. O voltar à pobreza que é o mais contra-cultural dos nossos dias. Se recuarmos ao projeto cristão dos inícios e à ideia de que «todos tinham tudo em comum», entramos na essência do ser Igreja. Uma comunidade que se indigna perante a pobreza e assume-a sob a forma de desprendimento para poder ser sinal. Está no ADN da Igreja”.
Informações:
formacao.leiria-fatima.pt
Educris|23.01.2019

