«Luanda Leaks»: Igreja recorda alerta feito em 2016

D. Estanislau Chindecasse lembra “denúncia da Igreja” para situação problemática no território

A “falta de ética e a má gestão do dinheiro público”, bem como a “corrupção generalizada”, e o “agravamento da pobreza no país” levaram ao “aumento do custo de vida em resultado de uma crise económica e financeira”.

A denúncia faz parte da nota «O que vimos e ouvimos» e que hoje foi recordada pelo Bispo do Dundo, D. Estanislau Chindecasse, em declarações divulgadas pela Fundação Ajuda À Igreja que Sofre (AIS).

“A situação é preocupante, para não dizer grave”. As palavras do Bispo do Dundo, à saída de uma reunião da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) são manifestação da preocupação da Igreja pela situação do país.

“O chamado ‘Luanda Leaks’ revela uma situação que já tinha sido constatada pela Igreja em Angola quando, no ano de 2016, fez publicar uma nota intitulada «O que vimos e ouvimos»”, recordou.

“Não podíamos não falar”, disse o prelado, para quem, o que os “documentos revelados pelo consórcio internacional de jornalistas” sobre alegados esquemas financeiros envolvendo, entre outros, a empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, confirmam “aquilo que alguns pensavam que existia”.

Apesar das constantes denúncias da Igreja no território D. Estanislau Chindecasse, considerou que o “Luanda Leaks não era expetável” e que “fomos todos apanhados de surpresa”.

“A Igreja [de Angola] foi sempre chamando a atenção para o aspeto da boa governação”.

Descartando “qualquer mérito” na inversão da situação o prelado lembrou que “só fizemos o nosso dever” e que se vivem hoje “tempos de mudança no território”.

Uma diocese com necessidade de formação

Nas declarações hoje divulgadas, o bispo do Dundo alertou, ainda, para as necessidades da sua diocese, nomeadamente ao nível da formação de padres e admitiu a possibilidade de cooperação com dioceses portuguesas.

“Estávamos a pensar bater à porta de uma ou outra diocese em Portugal para ver se nos poderiam receber dois ou três candidatos para terem uma formação teológica e espiritual no contexto de uma igreja mais organizada e depois possam trazer essa experiência para a nossa diocese que é, efetivamente, bastante jovem”, disse o bispo.

Educris|17.02.2020

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