
Porto Moniz acolheu o Jubileu dos Catequistas, onde o bispo do Funchal apelou a uma renovação da fé como resposta ao amor de Deus e motor de transformação social. D. Nuno Brás defendeu que os catequistas são hoje “pilares da fé” e fundamentais para dar esperança às novas gerações
No Jubileu dos Catequistas, celebrado este domingo, 5 de Outubro, no Porto Moniz, D. Nuno Brás afirmou que a fé não é apenas um sentimento ou tradição, mas “a resposta concreta e total à iniciativa de Deus que vem ao nosso encontro”. Numa homilia centrada no papel transformador da fé e da catequese, o bispo do Funchal sublinhou a urgência de formar novas gerações capazes de viver com Deus e à luz de Deus.
“Se a sociedade madeirense não se transforma, não se converte, é porque tem os ouvidos mais surdos e o coração mais fechado a Deus que, mesmo assim, insiste em vir ao seu encontro”, declarou. E advertiu: “Sem Deus, estaremos condenados à velhice do pecado.”
Catequistas: testemunhas e pilares da fé
D. Nuno Brás destacou o papel essencial dos catequistas como mediadores do encontro com Deus, considerando-os “verdadeiros pilares da fé”. Sublinhou que o seu trabalho vai muito além da simples transmissão de conteúdos: “Precisamos cada vez mais de catequistas que não ajudem apenas os nossos jovens a portar-se bem, mas que os ajudem a ter fé, a viver a fé, a co-responder ao amor que Deus lhes tem.”
A catequese, insistiu, não é apenas importante para a Igreja, mas para toda a sociedade madeirense, “porque sem fé, perdemos a capacidade de lutar, de construir com Deus, de ter esperança”.
A sabedoria da fé como herança e desafio
Recordando os antepassados madeirenses, o prelado enalteceu a sua vivência quotidiana da fé, que lhes dava “resiliência, coragem de lutar e sabedoria do coração”. “Mesmo sem estudos ou viagens, tinham uma sabedoria maior: a sabedoria da fé”, afirmou.
No entanto, lamentou que hoje essa ligação à fé pareça esmorecida: “Parece que o egoísmo tomou conta da nossa vida e que facilmente nos esquecemos do outro.”
Renovar a fé, transformar a sociedade
Para D. Nuno Brás, a fé deve ocupar a totalidade da vida do crente, iluminando tanto o sofrimento como a alegria, o trabalho como a celebração. “Deus não poderia ocupar apenas uma parte, um pedaço de nós. Ele entrega-se completamente e espera de cada um uma resposta completa”, declarou, referindo-se ao 1.º mandamento como modelo de resposta total.
Concluiu com um apelo à fé autêntica, vivida em comunidade e não baseada apenas em rituais: “Que Ele nos ajude a dar vida a comunidades cada vez mais crentes — não com a crendice humana de quem se vê aflito e recorre à ajuda de Alguém superior, mas com a fé de quem tudo vê e vive à luz de Jesus, morto e ressuscitado.”
Imagem: Arquivo Educris
Educris|07.10.2025



