Mensagem do Papa para o VII Congresso contra a pena de Morte

Iniciativa tem hoje início, em Bruxelas e reúne centenas de especialistas e ativistas que defendem o fim da pena capital no mundo inteiro.

O Papa Francisco enviou hoje uma vídeo-mensagem aos participantes do VII Congresso Mundial contra a pena de Morte, uma iniciativa da ECPM (together Against the Death Penalty), uma organização francófona que procura, a “nível mundial abolir a pena de morte” e que conta com o apoio dos ministérios dos negócios estrangeiros da maioria dos países europeus, bem como da Argentina, Austrália e Mongólia.

Na missiva o papa saudou os participantes e afirmou a vida como “dom recebido” e como condição “primária de todos os outros direitos”:

“A vida humana é um presente que recebemos, a fonte mais importante e primária de todos os outros presentes e todos os outros direitos. E como tal, precisa ser protegida. Além disso, para o crente, o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Mas, tanto para os crentes quanto para os não crentes, toda a vida é boa e a sua dignidade deve ser guardada sem exceção”, apontou.

Para Francisco, e perante “sistemas judiciais e de detenção cada vez mais eficazes”, mesmo diante de “violações graves contra bens e pessoas”, torna-se evidente que “existem outros meios para expiar os danos provocados” que não “impliquem a perda da própria vida” de modo a “oferecer ao culpado de crimes a possibilidade de se arrepender” e mudar de vida.

Igreja: O amadurecimento da visão sobre a pena de morte

Consciente que em alguns períodos da história a Igreja considerou “a pena de morte como uma resposta adequada para proteger o bem comum” o papa lembrou a recente modificação “do catecismo da Igreja Católica”, que considerou um “amadurecimento da visão cristã”:

“Durante muito tempo, a pena de morte foi considerada como uma resposta adequada à gravidade de alguns crimes e também para proteger o bem comum. No entanto, a dignidade da pessoa não se perde, mesmo que se tenha cometido o pior dos crimes. Ninguém pode tirar a sua vida e privá-lo da oportunidade de abraçar novamente a comunidade que ele feriu e fez sofrer”.

No final da sua mensagem o papa considerou “a abolição da pena de morte em todo o mundo” uma “uma afirmação ousada do princípio da dignidade da pessoa humana” dando a possibilidade ao criminoso de “rejeitar o mal e reparar o dano cometido”.

O VII Congresso Mundial contra a pena de Morte termina no próximo dia 4 de março.

Educris!27.02.2019

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