
Paulo Agostinho Matica guardou livros de registo paroquiais perante ataque terrorista
A paróquia de São Bento de Palma, em Pemba, Moçambique, foi atacada no passado dia 4 de junho por um grupo terrorista.
“No dia dos ataques estava na paróquia, a trabalhar. Eu estava lá dentro, na casa dos padres quando chegou o Al Shabaab (o grupo terrorista local) e ataca a paróquia”, recorda Paulo Agostinho Matica em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
O catequista, ao “ouvir os primeiros morteiros e disparos”, procurou salvar “os livros de assentos onde estão os registos dos batizados e casamentos”.
“São a memória histórica da paróquia e tinham, a todo o custo, de ser salvos”, considera o catequista.
Durante dois dias Paulo Agostinho Matica esconde-se com os livros dentro da igreja local esperando “o acalmar da situação”. Ao terceiro dia arrisca e foge para casa de um amigo com o objetivo de chegar à vila de Senga com o “tesouro escondido”.
Já em Senga o catequista relata “uma situação emocionante no encontro com a comunidade católica local”.
“Foi até comovente o que aconteceu. No meio daquele ambiente de guerra, com as pessoas sem saber muito bem o que fazer, para onde fugir, alguns cristãos ao descobrirem ali um responsável da Igreja, um animador paroquial, fazem-lhe um pedido irrecusável. Eles disseram-me: ‘nós queremos rezar’. Então, fui à igreja e rezámos”, revela emocionado.
Na ausência de um sacerdote, é comum haver por ali, em Cabo Delgado, a Celebração da Palavra.
Dois meses e onze dias depois do ataque terrorista a Palma, o catequista Paulo Matica foi a Pemba para entregar os livros da paróquia numa breve cerimónia testemunhada pela Fundação AIS.
D. Juliasse, Administrador Apostólico da Diocese, elogiou a sua coragem e determinação e disse que ele deu um grande exemplo.
“Já sabia da dedicação deste nosso animador para com a paróquia de São Bento de Palma, mas não deixa de ser uma surpresa muito agradável e até de muita admiração pelo facto de ele se ter preocupado em salvar os livros dos registos da paróquia.”
A coragem de Paulo Agostinho Matica permitiu salvar os livros de registo da paróquia de São Bento de Palma. Na verdade, são mais do que simples livros: naquelas páginas escritas à mão estão as memórias da comunidade cristã, os nomes dos que se casaram naquela igreja e ali também se batizaram, se crismaram. Está tudo ali. “Se não fosse a coragem deste homem, os livros da paróquia teriam servido para alimentar a fogueira de ódio que os terroristas acenderam no chão da igreja”.
Educris com AIS
17.06.2021



