Nigéria: Bispo denuncia «país em guerra» face a aumento de violência

Igreja Católica, vítima de ataques constantes critica “massacre do povo Tiv”

O arcebispo Matthew Ndagoso, da Diocese de Kaduna, na Nigéria, dá conta de “um país em guerra” fruto dos constantes ataques “de fanáticos religiosos” que espalham “o terror em todo o país”, diz em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“Os cidadãos estão sozinhos. As pessoas estão a ser mortas sem consequência nenhuma”, lamenta, ironizando com a ideia de que “bandidos estrangeiros ou outros criminosos podem vir à vontade matar-vos, saquear-vos, violar-vos, raptar-vos e assassinar-vos…”, tal o estado de abandono a que a população está votada.

Para o padre Kuha Indyer, missionário espiritano “os pastores Fulani estão a massacrar o povo Tiv [essencialmente cristão], matando-os com as suas facas e com armas modernas como a AK47”.

O relato dá conta de um conjunto de ataques que se “sucedem a um ritmo assustador”.

“Há algumas semanas, foram mortas 36 pessoas em Benue. “Entre as vítimas, também estava um dos meus parentes”, diz o padre Indyer.

“Eles apareceram do nada uma manhã e mataram toda a gente numa questão de minutos.” O padre relatou ainda que na Diocese de Katsina-Ala “várias escolas e paróquias foram encerradas devido às atividades de gangues criminosos”, completa.

Também a Igreja Católica tem sido visada nesta onda de ataques. No início de junho o padre Alphonsus Bello Yashim, um sacerdote católico, foi assassinado em Malfunashi. Na diocese de Kaduna o seminário local já foi atacado e três dos seus alunos foram raptados e um foi mesmo assassinado durante o ano de 2020.

A situação é também trágica nos estados de Benue e Taraba. As disputas de terras têm criado inúmeros problemas aos agricultores cristãos que se sentem assediados por grupos de pastores Fulani, cada vez mais radicalizados e violentos.

Educris|01.07.2021

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