«O grande desafio do ministério é a formação dos catequistas», Maria Luísa Boléo

Formadora do Patriarcado de Lisboa alegra-se pela instituição da missão do catequista como ministério na Igreja

É figura incontornável da catequese em Portugal. Maria Luísa Boléo, catequista e formadora de catequistas no Patriarcado de Lisboa “há 65 anos”, conhece, como poucos, as transformações de um setor em constante mudança “para levar Jesus cada vez a mais pessoas e acompanhar os discípulos que nos são confiados”.

“Alegro-me e congratulo-me por finalmente ter sido declarado ministério a missão do catequista”, começa por afirmar em conversa com o EDUCRIS não sem deixar a ideia de que o “novo Ministério só ‘peca’ por tardio” uma vez que “nas comunidades a realidade já era evidente na Igreja há muitos anos”.

“É bom que a Igreja reconheça a missão do catequista como uma vocação. Penso que este passo poderia ter sido dado há bastante tempo pois desde o Concílio Vaticano II, com o papa Paulo VI que vemos, nos vários documentos da Igreja, o destaque aos milhões de leigos que animam as comunidades cristãs com este serviço da catequese”.

Com experiência de vida em África, numa “realidade bastante diferente da europeia”, Maria Luísa Boléo recorda “os grandes catequistas que eram motores das comunidades cristãs onde os sacerdotes, pela sua escassez, apenas conseguiam ir duas ou três vezes no ano”.

“Em angola, quando lá estive, o catequista era, sem dúvida, o líder da comunidade e são verdadeiros ministros dentro da comunidade. Isso acontece em muitos lugares da Igreja e muitos são mártires da própria Igreja. São fundamentais na comunidade depois de um longo caminho de formação a que se propõem”, recorda.

Perante o novo «Ministério do Catequista”, e numa altura em que a catequese “está a mudar”, a catequista receia que haja “poucos catequistas que estejam em condições de aceder ao ministério” e aponta “formação como o grande desafio da Igreja para a efetivação prática deste ministério”.

“O primeiro problema que enfrentamos, e falo pelas diferentes realidades que vou conhecendo, é o da formação dos catequistas. Precisamos de formar, acompanhando, os catequistas a fazerem a experiência e a aproximarem-se da eucaristia para que esta possa ser o centro do seu viver. Só assim poderão guiar outros. De outro modo ficaremos com os muitos preceitos para cumprir e pouca misericordia na prática da fé”, lamenta.

Na Carta Apostólica, sob a forma de Motu Proprio Antiquum Ministerium, o Papa Francisco “deixa espaço ao discernimento das Igrejas locais” o que se constitui “como um grande desafio para os bispos, padres de cada realidade eclesial”.

“Este ministério não pode ser entregue a qualquer um. Devemos ter em conta os critérios normativos e os itens de formação para não criarmos ‘mini padres’ ou ‘mini religiosas’”, sustenta.

Para Maria Luísa Boléo “falta encontrar e discernir entre os crentes, aqueles que pela sua formação, ou pela estabilidade no serviço da catequese, possam exercer o ministério do catequista”.

A catequista formadora mostra-se esperança no futuro da catequese pelo “esforço que a Igreja em Portugal tem feito, ainda antes do Concilio Vaticano II, na formação dos catequistas”.

“Temos já, no terreno, catequistas que são fortes candidatos para o ministério. Temos formadores, que andámos a formar ainda antes do Concílio Vaticano II, com monsenhor Perira dos Reis e outros que estão no terreno a realizar o itinerário «Ser Catquista»”, completa.

Educris|14.05.2021

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