
Cardeal português desafiou ao sonho de uma nova humanidade, a partir da mensagem de Fátima e deixou mensagem para os jovens que preparam a Jornada Mundial que Lisboa acolhe em 2023
D. José Tolentino Mendonça disse hoje, em Fátima que uma sociedade “que lentamente sai de uma pandemia” deve buscar um relançamento “não só material, mas espiritual” porque “não vivemos só de pão”.
“Numa hora de encruzilhada da história como esta que vivemos não podemos fazer coincidir o relançamento da esperança unicamente com o cuidado pela expressão material da vida. Sem dúvida que é urgente garantir o pão e esse trabalho exigente – fundamentalmente de reconstrução económica – deve unir e mobilizar as nossas sociedades. Mas as nossas sociedades precisam também de um relançamento espiritual. Sem o pão não vivemos, mas não vivemos só de pão”.
Na homilia da eucaristia a que presidiu no altar do recinto da Cova da Iria, e perante 7.500 peregrinos, o prelado sustentou que a crise atual encontra paralelo nas guerras mundiais do século e citou Max Sheller e Simone Weil para reafirmar a atualidade da mensagem de Fátima:
“O que é que a Virgem pediu à humanidade, através dos pastorinhos? Oração, penitência e conversão, isto é, meios concretos de reconstrução interior. Max Sheller, na mesma linha, considera que «uma penitência comum, um arrependimento comum, um sacrifício comum» que favorecesse depois uma renovada capacidade de interajuda solidária e recíproca”.
D. José Tolentino Mendonça desafiou os crentes a encontrar “um suplemento de alma” pois “não basta voltar ao que eramos antes”.
“A experiência da pandemia e a crise poliédrica e global que ela instaurou representam igualmente para a contemporaneidade um imenso desafio a renascer. A consciência das cinzas deve responsabilizar-nos ainda mais na procura do fogo. Pois não basta voltarmos exatamente ao que éramos antes: é preciso que nos tornemos melhores. É preciso um suplemento de alma. É preciso que desconfinemos o nosso coração”.
Recordando o momento em que “Jesus toma sobre Si – com que compaixão! – todas as feridas”, o cardeal português afirmou que “o maior desconfinamento é quele que o amor opera em nós”.
“Olhando para a cruz poderíamos pensar que Jesus estava brutalmente confinado. E estava. Mas o verdadeiro desconfinamento é aquele que o amor opera em nós. O amor é o mais verdadeiro, o mais profético, o mais necessário desconfinamento. Por isso, despojado de tudo Jesus não cessa de nos enriquecer com o dom de Si mesmo”, apontou.
A preparação da JMJ Lisboa 2023 não foi esquecida com D. Tolentino a desafiar os jovens “sonhar”, e a arriscar por “uma nova fraternidade” que restitua o sentido de pertença universal longe do individualismo dos projetos de cada um.
“O mundo fatigado por esta travessia pandémica que ainda dura, e que pede a cada um de nós vigilância e responsabilidade, não tem apenas fome e sede de normalidade: precisa de novas visões, de outras gramáticas, precisa que arrisquemos ter sonhos. Em especial aos jovens, e aos jovens portugueses que se preparam para acolher em 2023 as Jornadas Mundiais da Juventude, eu quero dizer a partir de Fátima: em vez de ter medo, tenham sonhos. Descubram que Deus é aliado dos vossos sonhos mais belos. Ousem sonhar um mundo melhor. Sintam que o futuro depende da qualidade e da consistência dos vossos sonhos”.
“Fátima é ‘uma alavanca da nossa humanidade, um laboratório sem portas nem muros, sempre aberto para a esperança”, concluiu.
Educris|13.05.2021
