Papa: «A prevenção dos abusos não é opcional, é parte da missão da Igreja»

No encontro com a Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores, no Vaticano, o Papa apelou a uma verdadeira “cultura do cuidado” em toda a Igreja.

Papa Leão XIV afirmou hoje que a prevenção dos abusos na Igreja deve ser entendida como uma dimensão essencial da sua missão, e não apenas como um conjunto de procedimentos institucionais.

Durante o encontro que manteve hoje com a Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores, reunida em Roma em assembleia, o pontífice agradeceu o trabalho desenvolvido e destacou o trabalho realizado na defesa das vítimas e das pessoas vulneráveis.

“É um serviço exigente, às vezes silencioso e muitas vezes oneroso, mas essencial para a vida da Igreja e para a construção de uma autêntica cultura do cuidado”, afirmou.

Recordando a decisão do seu predecessor, o Papa Francisco, de integrar esta comissão na estrutura da Cúria Romana, Leão XIV sublinhou que a proteção dos menores não pode ser vista como uma tarefa secundária na missão da Igreja.

“A prevenção dos abusos não é uma tarefa opcional, mas uma dimensão constitutiva da missão da Igreja”, declarou.

Segundo o Papa, prevenir abusos não significa apenas estabelecer normas ou protocolos, mas promover uma transformação cultural dentro da comunidade eclesial.

“A prevenção nunca é somente um conjunto de protocolos ou procedimentos. Trata-se de ajudar a formar, em toda a Igreja, uma cultura do cuidado”, afirmou.

Neste processo, o pontífice sublinhou a importância de escutar as vítimas e sobreviventes, considerando que os seus testemunhos são essenciais para o caminho de renovação da Igreja.

“As experiências das vítimas e dos sobreviventes são pontos de referência essenciais”, afirmou, acrescentando que “é precisamente mediante o reconhecimento da dor que foi causada que se abre um caminho credível de esperança e renovação”.

Leão XIV destacou também a necessidade de uma abordagem multidisciplinar e de cooperação entre os diferentes organismos da Santa Sé, nomeadamente com o Dicastério para a Doutrina da Fé, responsável pela vigilância disciplinar.

O Papa referiu ainda que os bispos e superiores religiosos têm uma responsabilidade própria neste campo. “Escutar as vítimas e acompanhá-las deve encontrar uma expressão concreta em cada instituição e comunidade eclesial”, afirmou.

O pontífice destacou o “conceito de vulnerabilidade” e a “prevenção dos abusos facilitados pelas tecnologias digitais.” Como duas das áreas de atuação prioritárias para a Igreja de modo a saber interpretar estes “sinais dos tempos” para responder com coragem e clareza pastoral às diferentes questões.

O Papa anunciou, ainda, estar em preparação um conjunto de orientações universais para a proteção de menores.

No final Leão XIV reforçou que a proteção dos menores deve atravessar toda a vida da Igreja.

“A proteção dos menores e das pessoas em situação de vulnerabilidade não é um âmbito isolado da vida eclesial, mas uma dimensão que atravessa a pastoral, a formação, o governo e a disciplina”, afirmou, acrescentando que “cada passo em frente neste caminho é um passo em direção a Cristo e a uma Igreja mais evangélica e autêntica”.

Imagem: Vatican MEDIA

Educris|16.03.2026

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