Papa associa «ressurreição de Cristo» à ecologia integral e esperança cristã

Leão XIV lembrou que “só de conversão em conversão passamos deste vale de lágrimas para a nova Jerusalém” e desejou que “o Espírito nos conceda a capacidade de ouvir a voz de quem não tem voz.”

Educris/PQ

O Papa Leão XIV destacou, ontem, a ligação entre a ressurreição de Cristo, os desafios contemporâneos e a responsabilidade da humanidade na preservação da criação.

Na audiência-geral, inserida no ciclo do Jubileu dedicado à esperança, a reflexão do Papa abordou a espiritualidade pascal e a urgência de uma ecologia integral.

Ressurreição e desafios do mundo de hoje

Leão XIV começou por sublinhar que a Ressurreição de Cristo convida os fiéis a enfrentar os desafios atuais com esperança. Recordando a história de Maria Madalena diante do túmulo vazio, Leão XIV frisou que “as lágrimas constituem um dom de vida quando purificam os nossos olhos e libertam a nossa vista”.

“O Evangelho de João mostra que Madalena, chorando, não reconheceu de imediato Jesus ressuscitado, pensando que fosse o guardião do jardim. Na verdade, ela devia compreender a sua tarefa do Homem novo, aquele que renova todas as coisas”, afirmou.

Espiritualidade pascal e cuidado da criação

O Papa explicou que a ressurreição de Cristo fundamenta uma espiritualidade de cuidado com a criação. Citando a Encíclica Laudato si’, lembrou que “a cultura ecológica não se pode reduzir a respostas urgentes e parciais”, defendendo que é necessária uma visão integrada que transforme o pensamento, o estilo de vida e a espiritualidade.

Leão XIV salientou que os cristãos são chamados à conversão ecológica, inseparável da conversão interior que Jesus exige: “Só de conversão em conversão passamos deste vale de lágrimas para a nova Jerusalém”, explicou, referindo-se ao exemplo de Maria Madalena na manhã de Páscoa.

Esperança cristã e compromisso com o próximo

O Papa apelou ainda à solidariedade com os pobres e à proteção da natureza, lembrando que “os filhos e as filhas da Igreja podem encontrar milhões de jovens e de outros homens e mulheres de boa vontade que ouviram o clamor dos pobres e da terra, deixando-se tocar no coração”.

Leão XIV concluiu com uma exortação à escuta e à ação: “Que o Espírito nos conceda a capacidade de ouvir a voz de quem não tem voz. Então, veremos o que os olhos ainda não veem: aquele jardim, ou Paraíso, para o qual nos dirigimos apenas acolhendo e cumprindo cada qual a sua tarefa.”

20.11.2025

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