Papa Leão XIV apela a uma “revolução do amor” durante homilia em Castel Gandolfo

Na eucaristia deste domingo, celebrada na paróquia de São Tomás de Villanova, em Castel Gandolfo, o Papa Leão XIV lançou um forte apelo à compaixão e à solidariedade, inspirando-se na parábola do Bom Samaritano para questionar as consciências dos fiéis e apelar a uma fé mais viva, empática e atuante

O Papa desafiou hoje os cristãos a refletir sobre a urgência de ver o outro com os “olhos do coração” e não com o olhar “distraído e apressado” que tantas vezes prevalece na vida moderna.

“O olhar faz a diferença, porque expressa aquilo que trazemos no coração: ver e passar adiante ou ver e encher-se de compaixão”, afirmou Leão XIV, sublinhando que a verdadeira fé cristã exige um coração que se comove, mãos que socorrem e ombros que suportam o fardo do próximo.

Tomando para meditação a parábola do Evangelho segundo São Lucas (10, 25-37) o sumo pontífice refletiu “sobre a indiferença perante o sofrimento” e lembrou a “necessidade de recuperar a sensibilidade espiritual”.

Leão XIV apresentou o Bom Samaritano como imagem viva de Jesus Cristo, “o Filho eterno que o Pai enviou à história porque olhou para a humanidade sem passar adiante” e situou a importância do olhar par uma ação consciente sobre o outro.

“Existe um modo de ver exterior, distraído e apressado, um olhar que finge não ver, isto é, sem nos deixarmos sensibilizar e interpelar pela situação; por outro lado, há um modo de ver com os olhos do coração, com um olhar mais profundo, com uma empatia que nos põe no lugar do outro, nos faz participar interiormente, nos toca, comove, questiona a nossa vida e a nossa responsabilidade”, desenvolveu.

Reforçando a centralidade da misericórdia, o Pontífice recordou palavras do Papa Francisco, segundo as quais Jesus “é a compaixão do Pai por nós”. Também citou Santo Agostinho, para quem Cristo é o próprio próximo que se faz presente no cuidado ao ferido, e Bento XVI, que refletiu sobre a exigência interior de se tornar alguém “cujo coração está aberto para se deixar impressionar perante a necessidade do outro”.

No final da homilia, o Papa Leão XIV sustentou a necessidade de uma “revolução” do amor, capaz de chegar a todos, e em todas as circunstâncias da experiência humana.

“Hoje precisamos desta revolução do amor. Hoje, o caminho de Jerusalém a Jericó é hoje o percurso de tantos que descem aos abismos do sofrimento, vítimas da guerra, da pobreza e da injustiça. E o que fazemos nós? Vemos e passamos adiante?”, questionou.

Ao encerrar a celebração, o Santo Padre exortou todos os presentes a seguirem o exemplo do Samaritano, deixando-se tocar pelas dores alheias e tornando o amor mais forte do que o mal e a morte. “Vai e faz tu também o mesmo”.

“Ver sem passar adiante, parar a nossa corrida apressada, deixar que a vida do outro, seja ele quem for, com as suas necessidades e sofrimentos, me parta o coração. Isso aproxima-nos uns dos outros, gera uma verdadeira fraternidade, derruba muros e barreiras. E, finalmente, o amor abre caminho, tornando-se mais forte do que o mal e a morte”, completou.

Imagem: Vatican MEDIA

Educris|13.07.2025

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