Roma: «Quem estuda deve aprender a levantar o olhar», afirma o Papa Leão XIV

Na abertura do Jubileu do Mundo Educativo, o Papa Leão XIV apelou aos universitários e professores para que a busca do conhecimento não se reduza a um exercício intelectual, mas se torne caminho de conversão, esperança e serviço à verdade

O Papa Leão XIV abriu, esta tarde, na Basílica de São Pedro, o Jubileu do Mundo Educativo, numa celebração que largas centenas de estudantes e docentes das universidades romanas. Na sua homilia, o Santo Padre convidou o mundo académico a redescobrir o estudo como “um caminho de Páscoa”, capaz de libertar o ser humano do fechamento em si mesmo.

“A vida é viva somente se estiver em movimento, se souber fazer algumas ‘passagens’, isto é, se for capaz de celebrar a Páscoa”, afirmou o Papa, recordando que o Jubileu é um tempo de “conversão e esperança”.

Dirigindo-se aos estudantes, investigadores e professores, Leão XIV sublinhou que a maior graça da vida universitária é “a visão de conjunto, uma visão capaz de captar o horizonte, de ir além”.

Ao tomar para reflexão o trecho do evangelho do dia, o Papa comparou a condição humana ao episódio da mulher encurvada, curada por Jesus.

“Quando o ser humano é incapaz de ver além de si mesmo, das suas ideias e convicções, permanece prisioneiro. Mas quando encontra Cristo, abre-se a uma verdade que muda a vida e o liberta dos seus fechamentos.”

O estudo como cura para o espírito

Para o Papa Leão XIV, o ato de estudar é, em si mesmo, um gesto de elevação e cura.

“Quem estuda eleva-se, amplia os seus horizontes e as suas perspetivas, para recuperar um olhar que não se fixa apenas no chão, mas é capaz de olhar para o alto: para Deus, para os outros, para o mistério da vida.”

Leão XIV apelidou de “dom” a capacidade detida por “estudante e investigador” em alargar o olhar “que não simplifica as questões, que não teme as perguntas e vence a preguiça intelectual” e que vence, assim, “a atrofia espiritual”.

O Papa alertou, contudo, para o risco de uma cultura fragmentada, que “se tornou especialista em detalhes infinitesimais da realidade, mas incapaz de recuperar uma visão unificadora”.
A experiência cristã, afirmou, “quer ensinar-nos a olhar para a vida com um olhar capaz de abraçar tudo, rejeitando qualquer lógica de parcialidade”.

Educar é um ato de amor

Na parte final da homilia, o Papa dirigiu-se diretamente às universidades católicas e às instituições de ensino superior lembrando que o seu papel, no mundo educativo, deve assemelhar-se “ao milagre” presente no evangelho proclamado.

“Levantar o outro, colocá-lo de pé, ajudá-lo a ser ele mesmo e a amadurecer uma consciência e um pensamento crítico autónomos”, apelou.

Para Leão XIV o mundo universitário é convidado a “continuar o gesto de Jesus” pois “há uma caridade que passa pelo alfabeto do estudo, do conhecimento e da busca sincera do que é verdadeiro”.

“Saciar a fome de verdade e de sentido é uma tarefa necessária”, afirmou o Pontífice, “porque sem verdade e significados autênticos, pode-se cair no vazio e até morrer”.

A verdade revela que pertencemos a alguém

Citando São Paulo, Leão XIV recordou que a busca da verdade leva o ser humano a descobrir a sua verdadeira pertença.

“Não somos criaturas lançadas por acaso no mundo, mas filhos amados de Deus, que tem um projeto de amor para a nossa vida.”

No final o papa rezou pelos estudantes e desejou que “a aventura universitária” os torne “capazes de um novo olhar” e de uma esperança que se traduza em testemunho concreto.

“Que sejais homens e mulheres que nunca se curvam sobre si mesmos, mas permanecem de pé, levando aos lugares onde ides a alegria e a consolação do Evangelho”.

No final da celebração Leão XIV assinou uma nova carta apostólica, «Traçar novos caminhos de esperança», nos 60 anos após a Declaração Conciliar Gravissimum Educationis do Papa São Paulo VI. A carta será publicada esta terça-feira (28/10), aniversário do documento do Concílio Vaticano II.

Educris|27.10.2025

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