Setúbal: «A EMRC é um espaço de diálogo e de encontro», afirma D. Américo Aguiar

Bispo de Setúbal sublinha que a disciplina ajuda crianças e jovens a encontrar sentido para a vida e a dialogar com a diversidade num momento de “mudança epocal”.

O cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal, apelou hoje aos pais e encarregados de educação para que inscrevam os seus filhos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), sublinhando o papel desta área na formação integral dos alunos e na construção de uma cultura de diálogo.

Numa mensagem dirigida a todos, o responsável considera que o atual contexto mundial, marcado por conflitos, crises sociais e tensões culturais, torna ainda mais necessária uma educação centrada na pessoa.

“Vivemos uma mudança epocal, uma metamorfose cultural e antropológica que coloca a educação à prova e exige a coragem de recolocar a pessoa no centro de todos os processos educativos”, sustenta.

Fazendo memória do legado do Concílio Vaticano II, que há 60 anos publicou a declaração Gravissimum Educationis, e onde se defende uma educação aberta ao diálogo com o mundo contemporâneo, o cardeal lembra a atualidade do pensamento da Igreja e sustenta ser necessário continuar a hoje a propor “uma educação aberta, crítica e dialogante, capaz de responder às mudanças culturais e de promover o bem comum”.

Na sua reflexão, o cardeal destaca a importância da disciplina de EMRC no sistema educativo português, considerando que a escola deve ser mais do que um espaço de transmissão de conhecimentos.

“A escola não é apenas um espaço de transmissão de conteúdos. É um lugar para a construção de cultura, liberdade e diálogo”, afirma.

Segundo o bispo de Setúbal, a EMRC oferece aos alunos “um espaço privilegiado para refletir sobre questões fundamentais da existência” e compreender o papel das religiões e das culturas na sociedade”.

“A EMRC oferece às crianças e jovens um espaço único para pensar o sentido da vida, compreender o lugar das religiões e das culturas na sociedade e dialogar com a diferença”, refere.

O cardeal sublinha ainda que esta disciplina é aberta a todos os alunos, independentemente da sua fé ou convicção.

 “É uma disciplina aberta a TODOS, TODOS, TODOS: crentes, não crentes, pessoas em busca, indiferentes ou de outras tradições religiosas”, escreve.

Num mundo marcado por polarizações e “tribalismos digitais”, o responsável considera que a EMRC pode ajudar a promover a convivência e a fraternidade. “Num mundo onde crescem fenómenos de fechamento identitário e relações de ‘mesmidade’, a EMRC é um espaço de diálogo plural que forma para a convivência, a empatia e a fraternidade”, afirma.

A mensagem aborda também os desafios trazidos pelas novas tecnologias, nomeadamente pela inteligência artificial, defendendo a necessidade de formar “uma consciência ética capaz de discernir criticamente o uso da tecnologia”. Nesse contexto, o cardeal sublinha que a disciplina “pode ajudar os jovens a desenvolver uma cidadania digital responsável”.

Para D. Américo Aguiar “educar é sempre muito mais do que instruir” e sustenta que a educação deve “capacitar para viver com sentido, propósito, liberdade e responsabilidade num mundo complexo”, afirma.

Na conclusão da mensagem, o bispo de Setúbal renova o convite às famílias para que escolham a disciplina de EMRC no percurso escolar dos seus filhos. “Inscrevam os vossos filhos e educandos na disciplina de EMRC, não como um gesto identitário, mas como uma escolha consciente a favor do diálogo, da abertura ao outro e da formação integral”, conclui.

Imagem: Ricardo Perna

Educris|15.03.2026

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