«Solidariedade, convergência de vontades e atitudes concretas», pede a CEP

Palavras de abertura da 201ª Assembleia destacam atual momento político e reiteram compromisso da Igreja no apuramento da verdade acerca dos abusos sobre menores

D. José Ornelas, bispo de Setúbal e presidente da Conferencia Episcopal Portuguesa afirmou hoje que o mundo espera “solidariedade, convergência de vontades e atitudes concretas” da conferência sobre as alterações climáticas que está a decorrer em Glasgow.

“Embora de maneira não suficiente para fazer face à enormidade da ameaça que paira sobre o planeta, a evidência científica e a constatação empírica não deixam dúvidas de que não se podem perder estas derradeiras oportunidades para conter ao máximo, não as nuvens que pairam sobre o horizonte de amanhã, mas a dramática realidade das catástrofes que chegam, hoje e cada vez mais, às nossas casas, pelos noticiários de todo o mundo”, afirmou esta tarde na abertura dos trabalhos de nossa Assembleia Plenária da CEP.

“A voz do Papa Francisco desafia-nos a todos a colocar na agenda prioritária da Igreja e do mundo este tema fundamental para o futuro do planeta, nossa casa comum”, completou.

Dois anos após o início da pandemia covid-19, o prelado “assume uma organização de quase normalidade”, mas com prudência, e deu conta da celebração da eucaristia onde se fará memória dos que morreram vítimas desta catástrofe mundial.

“Damos graças a Deus por estas novas condições e manifestamos um profundo agradecimento a quantos tornaram possível esta evolução positiva, a começar por todos os profissionais de saúde que, incansavelmente e à custa da sua própria saúde, cuidaram daqueles que foram atingidos por esta enorme crise. Lembramos com fé aqueles que sucumbiram à doença, bem como os seus familiares e, unir-nos-emos a todos eles, na celebração da Eucaristia de conclusão desta Assembleia, no dia 11 de novembro”, afirmou.

D. José Ornelas agradeceu a quantos “contribuíram com investigação científica, no exercício da autoridade a todos os níveis, nos movimentos de solidariedade e, de modo especial, nas comunidades eclesiais” e desejou “um novo espírito de solidariedade e justiça” para um futuro mais humano.

“No contexto da pandemia, sem um acesso da população mundial a vacinas e a recursos para todos, as melhores práticas dos países com mais possibilidades económicas acabarão sempre por naufragar em novos contágios, com estirpes mais complicadas do vírus. Sem a globalização da justiça e da solidariedade o mundo globalizado torna-se numa confusão de tensões contagiosas, miséria, migrações perigosas e depredação do planeta”, sustentou.

Acerca do atual momento político nacional, o presidente da CEP pediu “decisões certas” e considerou o momento “delicado”, sendo fundamental,” uma atenção particular aos mais frágeis e marginalizados e a todos aqueles que por causa da pandemia enfrentam agora tantos problemas sociais e económicos”.

“Por mais que o processo tenha levado muitas pessoas ao ceticismo sobre o panorama político nacional, é fundamental que esta nova etapa da vida do país possa contar com a participação acrescida dos cidadãos, na clarificação do panorama político. É urgente que os partidos e todos os intervenientes encarem com credibilidade e sentido de Estado os grandes desafios e oportunidades que se encontram no futuro imediato de todos nós”, sublinhou.

O Presidente da CEP afirmou ainda que, diante deste quadro político, é ainda “mais incompreensível a discussão e aprovação da lei da eutanásia por uma Assembleia da República moribunda”, reiterando que a ideologia não pode sobrepor-se “à defesa intransigente do direito à vida” plasmada na Constituição.

“Tema também desafiador para toda a sociedade e que a Igreja toma como prioritário é o da proteção de menores e pessoas vulneráveis. É um dos assuntos desta Assembleia, no propósito de verificar os processos em curso, articular melhor as instâncias diocesanas e a coordenação nacional, de modo a oferecer oportunidades seguras e fiáveis no acolhimento de denúncias e acompanhamento às vítimas de abusos, na clarificação de processos e, sobretudo, na formação de pessoas. Faremos tudo para proteger as vítimas, apurar a verdade histórica e impedir estas situações dramáticas que destroem pessoas e contradizem o ser e a missão da Igreja”, acrescentou.

Sobre os casos de abusos a menores D. José Ornelas reiterou o tema “como prioritário” para a Igreja.

“É um dos assuntos desta Assembleia, no propósito de verificar os processos em curso, articular melhor as instâncias diocesanas e a coordenação nacional, de modo a oferecer oportunidades seguras e fiáveis no acolhimento de denúncias e acompanhamento às vítimas de abusos, na clarificação de processos e, sobretudo, na formação de pessoas. Faremos tudo para proteger as vítimas, apurar a verdade histórica e impedir estas situações dramáticas que destroem pessoas e contradizem o ser e a missão da Igreja”, completou.

D. José Ornelas referiu, por fim, dois outros temas da reunião: o processo sinodal desencadeado pelo Papa Francisco e a Jornada Mundial da Juventude, a decorrer em Lisboa em 2023.

Educris|08.11.2021

Fotografia: Agência Ecclesia/HM

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