Diretor da Faculdade de Teologia (FT), da Universidade Católica Portuguesa marcou presença na primeira sessão da formação «EMRC e o Ecossistema digital: práticas e recursos».
O professor Luís Miguel Figueiredo Rodrigues considera que o digital deve ser entendido “não como um conjunto de dispositivos e aplicações, mas como um ambiente de vida que estrutura possibilidades de atenção, de relação e de interpretação do real”.
Na primeira sessão da formação para docentes de EMRC, o responsável pela FT, trouxe à reflexão o tema «Ecologia do ecossistema digital e missão educativa da EMRC: uma proposta de ecologia digital integral para formação e prática docente», e alertou para a ambivalência do ecossistema digital, reconhecendo que as redes socio digitais são simultaneamente “espaços de encontro e criatividade,” mas também ambientes “instrumentalizados por lógicas económicas e dinâmicas algorítmicas que favorecem polarização, superficialidade e captura da atenção”. Uma realidade que, segundo o orador, “tem impacto direto na formação do juízo, na construção da pertença e no equilíbrio da interioridade, especialmente no contexto escolar”.
Neste sentido, defendeu que, para a Educação Moral e Religiosa Católica, a ecologia do ecossistema digital “não é um ‘tema adicional’: é um lugar efetivo de discernimento antropológico, moral e espiritual”.
Discernimento ético e presença digital
Um dos eixos centrais da reflexão incidiu sobre o discernimento cristão do digital. O docente explicou que este discernimento se organiza em torno da verdade, da relação e do “centro” da vida, alertando para os riscos de uma cultura tecnocrática onde “o tecnicamente possível parece ser, por si só, bom e verdadeiro”.
No plano educativo, sublinhou a urgência de “formar para a verdade” num contexto marcado pela “desinformação e pela manipulação digital”.
“A passagem do ‘parece verdadeiro’ para o ‘é verdadeiro’ exige educação para a verificação e para a responsabilidade”.
Trazendo aos professores o documento «Rumo à presença plena», do Dicastério para a Comunicação, órgão do Vaticano, Luís Miguel F. Rodrigues sublinhou a importância da “categoria de presença”, defendendo que a questão já não é “se, mas como participar no mundo digital, de modo a ser genuinamente presente e atento ao outro”.
A este propósito desafiou os formandos a “exame de consciência da vida online, estruturado pela relação com Deus, com o próximo e com a criação”.
EMRC e enquadramento curricular
Na sua intervenção o docente, também formador de professores de EMRC, apresentou “o enquadramento curricular português”, que considerou oferecer “bases sólidas para integrar a ecologia digital na EMRC”.
Segundo o autor, a disciplina pode “articular-se com referenciais como a educação para os media”, desde que o faça “em coerência com o seu núcleo próprio: a estruturação do agir ético e moral a partir da visão cristã da vida”.
Para Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, o contributo específico da EMRC passa por acrescentar “critérios de sabedoria moral e uma gramática de interioridade e discernimento”, capazes de resistir à lógica do imediato e de devolver centralidade ao sentido, à responsabilidade e à comunhão.
Uma ecologia digital integral na prática docente
No final da sua reflexão o diretor da FT afirmou que a ecologia do ecossistema digital é hoje “uma fronteira educativa inevitável” e um campo privilegiado de missão pedagógica para os professores de EMRC.O objetivo, sublinhou, não é simplesmente adaptar-se ao digital, mas “educar uma presença plena e integral, capaz de reconhecer o humano, escolher o bem e habitar o mundo com responsabilidade e esperança”.
A terceira edição da formação «EMRC e o ecossistema digital: práticas e recursos» é promovida pela FT e conta com o apoio da Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã.
Imagem: LMFR
Educris|06.02.2026


